1/18/2012

Deserto

Meus sentimentos ecoam
Uma vontade que me invade
Sinto a fúria que me atinge
As lágrimas que rolam

O olhar de fogo penetra
Meu coração queima,
minhas entranhas
Livre sou - livre parto.

Ao redor um grito cresce
A fúria não saciada
A vitória não o aquiesce
O ódio não se acalma.

O descanso tão esperado
Minhas lágrimas o chão encharcam
Meu corpo jaz a seu lado
Lealdade? Não conheci.

Meu espírito é livre;
Minha batalha eu venci.

C.C.

11/02/2011

Quando temos uma visão da realidade

É muito bonito falar de amizade como se fosse a coisa mais importante do mundo e na hora em que uma pessoa precisa do seu apoio, ao invés de demonstrar compreensão, você exigir ainda mais dela.

Meus amigos, meus verdadeiros amigos, são aqueles que não estão ao meu lado o tempo todo, aqueles que mal tenho tempo para ver ou falar, aqueles que às vezes nem sabem o que está acontecendo na minha vida no momento, mas que quando nos encontramos novamente colocamos tudo em dia e a mera presença um do outro é motivo de alegria.
São aqueles que ao invés de me cobrar tempo, pensam em mim quando não estamos juntos e rezam para que esteja tudo bem, e para que possamos nos encontar em breve, para que ele possa contar aquilo despertou sua lembrança. Amigo de verdade é aquele que ao invés de exigir, lembra com carinho.

Amigo de verdade você só percebe que tem quando passa um ano sem saber um do outro e quando se reencontram o abraço que trocam e a alegria nos olhos são sinceros.

Algumas pessoas precisam ainda passar por muita coisa na vida para entender o verdadeiro significado da amizade, ao invés de ficar cobrando de alguém algo que nem ao menos sabem o que é.

Fiz meu último esforço ontem, hoje conversei com alguém que já viveu muito mais que eu e percebi que eu talvez pudesse até estar errada, mas com certeza um amigo de verdade ao invés de me acusar sem querer saber dos meu motivos teria antes se preocupado comigo e tentado conversar para saber o porque de minhas atitudes.

Quando precisei quem me apoiou foi aquele que disseram que seria apenas passageiro, enquanto amigos são para sempre. Então aqui devo fazer uma ressalva - amigos de verdade são para sempre, e de fato, estes se mostraram solidários e permaneceram ao meu lado.

Não estou em condições de querer agradar a todos, ou de me doar a todos. Estou fraca e cansada. Neste momento preciso pensar em me curar e em recuperar minhas energias. Retiro-me do jogo neste momento. Sei que aqueles que realmente me amam e se importam comigo irão entender e permancer ao meu lado. Não preciso mais do que isso.

C.C.

PS: O jasmineiro está com botões *-*

9/03/2011

Os sinos bradam

Os sinos bradavam e ela sabia que era hora. Já sentia o anúncio da música que viria dentro de si há muito tempo, e tentando ignorar os sinais, ela continuava no mesmo caminho, esperando.

Ao longo da estrada encontrou o que achava ser o sinal para continuar, mas o sinal era sempre uma esperança frustrada. Ela sabia que o que sentia não vinha de fora. Estava dentro dela, sempre.

Não culpava ninguém, nem o poderia. Não havia um culpado senão seu "sangue".

O tempo continuou passando e ela continuou andando. Ignorando os tropeços, ignorando obstáculos, ignorando a ausência, ignorando o som dos sinos que se tornava cada vez mais alto à medida que ela avançava.

E cada vez mais alto, cada vez mais alto, na tentativa desesperada de ignorá-los, não percebeu quando se desviou de seu caminho, um desvio muito sutil, que a levava direto para o som dos sinos.

Mas agora ela percebe que não está mais onde deveria estar, e que o som dos sinos não vinha de um lugar á frente, ele vinha de dentro. Já não tem mais coragem para ignorá-lo, sabe que a hora chegou, e aguarda.

8/28/2011

Away

Madruagada de sábado levei um puxão de orelha mais do que merecido. Não vou justificar minhas atitudes, nem minhas falhas, não existe justificativa. Preguiça, falta de tempo, cansaço, overdose de tudo? Não exsite uma desculpa.

Sim eu estou exausta. Quando paro pra pensar, percebo o quão exausta estou. Quando deixo as informações explodirem na minha cabeça e finalmente me deixo ter percepção do que está acontecendo de verdade, sinto uma exaustão tão grande que minha vontade é me jogar na cama e ficar lá até o fim dos tempos.

Mas não posso fazer isso. Então eu espero o barulho ensurdecedor da explosão passar, e continuo em frente. Talvez desaparecer assim seja uma forma de tentar escapar das explosões repentinas. Talvez seja apenas uma velha parte minha querendo voltar. Muito provavelmente seja uma combinação de n fatores, incluindo a inércia.

Tentarei voltar para o mundo dos vivos.

C.C.

8/22/2011

Enquanto isso, num banco do CTC

Segunda-feira.

Vento, chuva, frio. Muito frio. Ela está fadada a ficar num banco de um prédio de salas de aula em algum lugar da universidade, pois não há biblioteca. Tem muito barulho e nenhum conforto. A aula começa às 20:00, ainda falta uma hora. Quais as condições necessárias para um estudo de qualidade? Em primeiro lugar, um ambiente onde haja um mínimo de silêncio e conforto. Uma mesa ou uma cadeira já são o suficiente. Mas as salas estão ocupadas neste prédio, e no prédio no qual ela poderia ficar (o seu centro) as salas são trancadas à noite.

Greve.

Não aguento mais. Como alguém vai traçar gráficos sentado num banco??

Eu...Só queria um lugar decente pra estudar, já que é só o que faço da minha vida. É pedir demais?

C.C.


7/03/2011

Nina's dream

Era tarde e ela dormia tranquila em sua cama. As portas da casa estavam inquietas e as janelas rangiam em suas dobradiças. O vento agitava o mundo fora de sua casa, revirando latas e garrafas nas ruas, arrancando telhados de casas frágeis, levando terra pelas ruas e açoitando tudo e todos que entravam em seu caminho.

Nina nada via, Nina nada ouvia. Imersa em um mundo tranquilo onde apenas uma leve brisa brincava com seus cabelos, ela corria risonha por pastos verdes enquanto perseguia amigos que existiam apenas em seus sonhos. E quando acordava, Nina chamava por eles, enquanto a tempestade que assolara o mundo à noite, assolava agora os verdes pastos de seus sonhos.

C.C.

27/06/2011

6/18/2011

O Reflexo na janela

Abriu o caderno e recebeu o olhar reprovador das palavras e cálculos ali gravados. Ouviu a voz de sua consciência lhe dizendo que era hora de começar a estudar. A sala estava vazia, a não ser por ela. O prédio onde estudava na universidade de sua cidade era velho e tinha uma estrutura precária. A maioria dos estudantes da faculdade tinha medo de passar por ele, principalmente à noite, e o chamavam de Labirinto. Suzane já estava acostumada com seus corredores e voltas, e já não entendia o porque de o chamarem de labirinto. Mas à noite, ela também sentia medo. Sozinha na sala, preocupada com a prova da semana seguinte, ela ouvia os passos de alguns estudantes do período noturno passando pelo corredor, e a voz de um professor na sala ao lado. Percebeu que reconhecia a voz do professor, ele lhe dava aula também. As letras de seu caderno continuavam a lhe enviar olhares reprovadores, Suzane já não lhes dava importância, estava pensando em como estava cansada de estar ali, cansada de estudar, cansada da faculdade, cansada dos amigos, cansada. Olhou para o quadro negro e percebeu um movimento próximo à janela. Estava escuro e frio na rua. Mas não havia nada lá. Uma janela estava aberta e as cortinas de material pesado oscilavam vagarosamente, quase que imperceptivelmente, com o vento noturno. Uma das integrais lhe lançou um olhar zangado, Suzane voltou sua atenção para o caderno novamente.

Como era fácil se perder em um detalhe quando sua mente estava longe. Uma aula havia terminado e os alunos saiam da sala fazendo barulho. Suzane não conseguira progredir ainda em seu estudo. Recostou-se na cadeira e soltou um suspiro longo. Suas costas doíam. Estava sentindo uma dor localizada já desde o inicio da semana, no dia anterior nem conseguira se movimentar direito. Cansada, começou a massagear o local dolorido, com os olhos fechados, seus ouvidos captavam os sons do ambiente ao seu redor. Vozes, passos, pequenos movimentos nas salas próximas. Abriu os olhos e novamente percebeu um movimento próximo à janela. Não havia nada. Com o reflexo das lâmpadas não conseguia ver a rua direito, somente a sombra de uma árvore. Tosse, espirro, cortina. O corredor estava mais silencioso agora e ela podia ouvir outros ruídos dispersos. Ajeitou-se na cadeira, ignorando a integral dupla que naquele momento cochichava com sua amiga logo à frente e apontava um dedo acusador para ela. Suzane não lhe deu atenção, sentia agora uma espécie de opressão no peito, uma espécie de desconforto com o silêncio que reinava no corredor talvez. Decidiu dar mais uma chance para as integrais duplas que já haviam decidido que ela era um caso perdido e davam de ombros, olhando para os lados. Mais uma ondulação nas cortinas. Suzane as encarou. Percebeu então que aquele sentimento de desconforto estava aumentando, olhou para suas coisas sobre a mesa e começou a guardá-las, mesmo achando-se patética por ainda sentir medo depois de quatro anos estudando no prédio. Uma cadeira rangeu na outra sala e seu coração deu um salto, olhou para o lado para atestar a si mesma o quanto era ridícula aquela situação, e engasgou-se com uma risada que ficou presa em sua garganta. Havia um rosto a encarando na janela. O susto foi tanto que Suzane não conseguia se mover ou falar, e enquanto tentava retomar os sentidos viu um olho piscando para ela no reflexo do vidro. Ele a encarava de uma classe próxima à janela. Não havia ninguém sentado ali. Em pânico, Suzane fechou o caderno na cara das integrais que não estavam entendendo o porque de todo aquele alvoroço, enfiou suas coisas de qualquer jeito na mochila e saiu desabalada pelo corredor, segurando-se para não correr, sentindo o coração quase sair pela boca.

Na sala, o reflexo do vidro olhava desolado para a porta aberta, sem entender o que havia acontecido.

C.C.