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12/19/2010

No silêncio do meu olhar

Às vezes, eu olho para você, e meus olhos não conseguem deixar de fitar os seus. Então minha mente se enche de palavras e versos, e eu tento ordená-los, tento desesperadamente juntá-los e transformá-los em algo coerente, enquanto suas mãos percorrem o meu corpo. Mas olhando em seus olhos eu percebo que nenhuma palavra, nenhum verso ou poesia parecem ser o suficiente para traduzir o quanto te amo, o quão grande é o amor que sinto. E eu queimo, queimo neste fogo que altera os meus sentidos, neste fogo que preenche todo o meu ser, tudo o que sou. E as palavras, os versos, as poesias, toda a louca sinfonia que forma-se em meu interior, e os teus olhos, são o alimento do meu fogo.
E dentro, quando simplesmente desisto de tentar descrever meu amor, dentro dos teus olhos eu vejo o mesmo fogo que é meu, o fogo que é nosso. Porque se palavras não podem descrever este sentimento, os olhos, os meus e os teus - eles podem.

O silêncio do meu olhar contêm as palavras que descrevem todo o amor que sinto, pois diante de ti, eu que sempre encontrei o verso certo, a rima certa, diante de ti e do amor que grita em meu peito, fico muda. E muda eu fito teus olhos e encontro todas as palavras que descrevem o teu amor. Diante deste sentimento que me toma por completo, finalmente entendi que não adianta tentar descrever o amor - o amor é, ele simplesmente é, e dentro dos teus olhos eu contemplo toda a beleza do seu ser.

C.C.

6/04/2010

A maior solidão...

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Vinícius de Moraes

C.C.

3/28/2010

Aquele que não pode ser definido

Não tinha forma, o que tornava impossível descrevê-lo. Não tinha cor ou cheiro; também não era possível tocá-lo. Talvez fosse mudo, ou cego, até mesmo surdo. Não produzia som algum, e parecia não se importar com as palavras, os lamentos, a súplica.
Ainda assim, existia. E todos o sabiam, todos algum dia o conheciam. E era mais real que o ar que respiravam, ou o céu que enxergavam, ou as palavras que ouviam; era mais real que qualquer superfície que pudessem tocar. Muitos sofriam com sua chegada, enquanto outros diziam subir aos céus.
E ele estava aqui antes de nós, ou talvez tenha surgido quando o primeiro homem pisou sobre a Terra, ninguém sabe ao certo.
E desde então geração após geração tenta explicar sua existência. Tentam explicar os efeitos que causa nos seres humanos, tentam explicar como algo que ninguém sabe o que é, algo que ninguém pode tocar ou ver, ou ouvir, como algo que parece não existir, existe.
Pois ele simplesmente continua, através dos anos; sua força gerando e mudando, aperfeiçoando e moldando, criando e transformando.
Alguns tentam desacreditá-lo, mas no fim acabarão sendo envolvidos por sua teia.
Seu poder é imenso, e quando chega explode, gerando uma força que não pode ser parada.
Para algo que não pode ser explicado, só encontra-se uma definição: Ele é.
O Amor, simplesmente É.

- Para os poucos que acreditam que o amor pode mudar o mundo, mudando a nós mesmos.

C.C.