O dia foi perdendo o brilho, a luz, o sentido. Sentada na cama, ela admirava a chuva. Começou fraca, fina.
De repente o céu foi escurecendo, primeiro veio o som, o estrondo fazendo o vidro tremer. Então a luz, relâmpagos cortando o céu.
Ela aproximou-se da janela, ficou lá, admirando a tempestade que se formava, a chuva cada vez mais forte, o vento mais intenso, era como se sua alma quisesse fundir-se com a chuva, o vento e os relâmpagos.
Fundir-se com a fúria da natureza, para apagar a tormenta que reinava em sua alma. Como era possível que a tempestade trouxesse seu nome com a chuva, seu cheiro com o vento, sua presença. Ela estava presa nos próprios pensamentos, a mercê do tempo e do espaço que agora começavam a ir e vir através de suas lembranças; de sua dor, de seus sentimentos, de sua confusão, negação, aceitação, de seu amor indesejado.
Qualquer um que entrasse agora veria esta cena, mas não ouviria seus gritos, mudos. Ela agora chorava, por que o nome de quem amava queimava em sua garganta, mas não podia dizê-lo. Não podia gritar para a tempestade lá fora, que trouxera sua dor à tona e a deixara naquele estado de perdição terrível, o nome de quem amava. Era seu segredo, o único, e só seu coração o conhecia. Mas já era tarde, a chuva ficou mais furiosa, e suas lágrimas mais abundantes, ela soluçava, agarrada às grades da janela. Então, enquanto se martirizava e fugia da tormenta que crescia dentro de si, ela olhou para o pulso. Para a fita branca que havia amarrado ali, lembrou de seu pedido, que ela tentara fazer sem pensar naquele rosto, e sentiu uma fisgada no estômago.
Não, aquilo teria que terminar. E ali, enquanto a chuva caia, ela secava as lágrimas, pedia para que a tempestade acabasse com aquilo tudo, com a dor, o tormento, com o amor insano que a dominava, e começou a atacar a fita branca, a puxar e a morder "Este pedido não pode ser realizado, eu o corrompi, agora chega". Com dificuldade arrebentou a fita, mas guardou em uma gaveta, uma lembrança de que agora começava o fim.
Às vezes precisamos exteriorizar nossos impulsos, para firmar nossos objetivos.
Toda vez que olha para o pulso, lembra da fita, da chuva, e da decisão que tomou. Aos poucos ela vai retomando o controle, é difícil, mas necessário.
Aquele nome ainda queima em sua garganta, mas agora ela sabe que isso está morrendo, aos poucos, e é ela quem está matando.
Achei esse texto perdido no myspaces o.O
Há muuuuuito tempo que não entrava lá, tive até que tirar umas teias de aranha no caminho auhauhauhauhauhauhuha Não lembro quando exatamente escrevi isso =X
Mas achei legal^^
C.C.
10/10/2008
10/02/2008
Die Sonne

Quero acreditar que não é coincidência, esta carta aparecendo.
Futuro: O Sol.
Ok então, estou aguardando ;)
E quando vejo o sol, como hoje, sinto que ela já está aqui^^
Os problemas se tornam pequenos, as mágoas, o peso, a culpa.
Quando vejo o sol, sinto que deveria brilhar como ele, mesmo com tudo isso que me faz mal, eu devo iluminar o mundo, como ele me ilumina.
Aprender a criar luz através da escuridão. Isso é o que quero fazer. Da minha dor, quero que brotem flores, da minha mágoa seu perfume, do meu orgulho as sementes e das ilusões, o paraíso.
"Fiat Lux!"
Eu também posso xD
C.C.
Marcadores:
o sol
9/30/2008
O que quero, e o que vês
A despeito de toda fé, além de qualquer evidência, o que vejo, é o que você vê.
O que sinto, é o que sentes, e o que quero, é o que queres.
Não há razão para fuga, para desespero, para sofrimento.
A dor pode ser real, a dor pode ser dolorida, mas a sua vida, a sua luta, a sua beleza, são maiores.
E o seu amor.
Que quando ferido, não se despedaça aos poucos, mas assim como nos romances, perdura, até atingir o ápice, explodir, e desaparecer por entre as nuvens cinzentas.
Não posso, não quero usar palavras vis, para descrever tudo o que somos, quero apenas mostrar-lhe um fato. O fato de que somos mais do que isso.
O fato de que sua dor é incompleta, a minha dor absurda, e nosso sofrimento, mesquinho.
O fato de que ao corrermos um do outro desta forma, entregando-nos a amores pequenos e paixões lascivas, estamos correndo de nosso próprio Eu, e da nossa felicidade.
Ainda estou aqui, minha mão mantém-se estendida e meu amor inalterado.
Não peço que venhas até mim, e que entregues teu coração, como te entreguei o meu.
Só o que peço, é que pares de sofrer, e de me arrastar em teu sofrimento. Só o que peço, é que olhes para mim, como na primeira vez, e que encontres no reflexo de meus olhos todo o amor e toda a vida que existem dentro dos teus.
O que vejo, é o que vês, e o que sinto, é o que sentes.
Tua dor é minha, e minha solidão é tua.
Quando decidires parar de procurar, venha me fazer uma visita, eu estarei no mesmo lugar. E talvez nesse dia você encontre o que eu, ao olhar nos teus olhos, encontrei.
R.A.Owen
O que sinto, é o que sentes, e o que quero, é o que queres.
Não há razão para fuga, para desespero, para sofrimento.
A dor pode ser real, a dor pode ser dolorida, mas a sua vida, a sua luta, a sua beleza, são maiores.
E o seu amor.
Que quando ferido, não se despedaça aos poucos, mas assim como nos romances, perdura, até atingir o ápice, explodir, e desaparecer por entre as nuvens cinzentas.
Não posso, não quero usar palavras vis, para descrever tudo o que somos, quero apenas mostrar-lhe um fato. O fato de que somos mais do que isso.
O fato de que sua dor é incompleta, a minha dor absurda, e nosso sofrimento, mesquinho.
O fato de que ao corrermos um do outro desta forma, entregando-nos a amores pequenos e paixões lascivas, estamos correndo de nosso próprio Eu, e da nossa felicidade.
Ainda estou aqui, minha mão mantém-se estendida e meu amor inalterado.
Não peço que venhas até mim, e que entregues teu coração, como te entreguei o meu.
Só o que peço, é que pares de sofrer, e de me arrastar em teu sofrimento. Só o que peço, é que olhes para mim, como na primeira vez, e que encontres no reflexo de meus olhos todo o amor e toda a vida que existem dentro dos teus.
O que vejo, é o que vês, e o que sinto, é o que sentes.
Tua dor é minha, e minha solidão é tua.
Quando decidires parar de procurar, venha me fazer uma visita, eu estarei no mesmo lugar. E talvez nesse dia você encontre o que eu, ao olhar nos teus olhos, encontrei.
R.A.Owen
9/27/2008
V for Vendetta
O que é isso que está acontecendo comigo?
Minha irmã diz que eu sou chorona mesmo... Será?
Ou será que choro por que sinto?
Ah, e sentir, sentir! Não é o que nos faz humanos? Não é isso que nos impede de cometer atrocidades? Sentir.
Quando o Homem sente, ele é capaz de amar, e quando o Homem é capaz de amar, como ele pode ser capaz de machucar alguém?
Oh mas entendam, entendam que eu falo do amor, não da paixão, não da obsessão, não da posse. Eu falo do amor, que nos torna capazes de olhar para as outras pessoas e sentir por elas compaixão.
Do amor que muda um homem, uma mulher.
Do amor que liberta, e não do amor que aprisiona, e nos deixa cegos.
Ás vezes, umas poucas vezes, eu o senti.
E então, eu senti que havia encontrado o que procurava.
A maior invenção do homem, foi a ficção. E um dos maiores presentes que foi dado ao homem, foi a imaginação.
O maior, claro, foi o sentimento.
Às vezes, quando vejo um filme ou leio um livro, e sinto pelos personagens, sinto com os personagens, percebo o quão importante é esse sentimento. Não basta ler as palavras, é preciso sentí-las. Palavras só fazem sentido quando despertam algum sentimento.
O que seria do Eu te amo, se não sentíssemos esse amor? Nada. Não significaria nada. E algumas pessoas são mestres em distribuir esse monte de nada por aí. E no fundo, são as que mais precisam ouví-lo. São essas pessoas que quando o ouvem, e sentem, que são capazes de mudar, de verdade. Sim, eu as admiro. Por que quando elas conhecem o amor, são capazes de vivê-lo de verdade, a despeito de qualquer sacrifício.
A ficção. Através dela somos capazes de transmitir nossos sentimentos, através dela somos capazes de fazer com que as pessoas os sintam também.
Pois bem, então não me importo se me chamam de chorona só por que chorei durante quase o filme todo, só mostra, pra mim mesma, que o filme exerceu algum efeito sobre mim, e que não foi tempo perdido.
(Conclusão feita no dia seguinte, não saiu como eu queria ¬¬)
C.C.



Minha irmã diz que eu sou chorona mesmo... Será?
Ou será que choro por que sinto?
Ah, e sentir, sentir! Não é o que nos faz humanos? Não é isso que nos impede de cometer atrocidades? Sentir.
Quando o Homem sente, ele é capaz de amar, e quando o Homem é capaz de amar, como ele pode ser capaz de machucar alguém?
Oh mas entendam, entendam que eu falo do amor, não da paixão, não da obsessão, não da posse. Eu falo do amor, que nos torna capazes de olhar para as outras pessoas e sentir por elas compaixão.
Do amor que muda um homem, uma mulher.
Do amor que liberta, e não do amor que aprisiona, e nos deixa cegos.
Ás vezes, umas poucas vezes, eu o senti.
E então, eu senti que havia encontrado o que procurava.
A maior invenção do homem, foi a ficção. E um dos maiores presentes que foi dado ao homem, foi a imaginação.
O maior, claro, foi o sentimento.
Às vezes, quando vejo um filme ou leio um livro, e sinto pelos personagens, sinto com os personagens, percebo o quão importante é esse sentimento. Não basta ler as palavras, é preciso sentí-las. Palavras só fazem sentido quando despertam algum sentimento.
O que seria do Eu te amo, se não sentíssemos esse amor? Nada. Não significaria nada. E algumas pessoas são mestres em distribuir esse monte de nada por aí. E no fundo, são as que mais precisam ouví-lo. São essas pessoas que quando o ouvem, e sentem, que são capazes de mudar, de verdade. Sim, eu as admiro. Por que quando elas conhecem o amor, são capazes de vivê-lo de verdade, a despeito de qualquer sacrifício.
A ficção. Através dela somos capazes de transmitir nossos sentimentos, através dela somos capazes de fazer com que as pessoas os sintam também.
Pois bem, então não me importo se me chamam de chorona só por que chorei durante quase o filme todo, só mostra, pra mim mesma, que o filme exerceu algum efeito sobre mim, e que não foi tempo perdido.
(Conclusão feita no dia seguinte, não saiu como eu queria ¬¬)
C.C.



9/26/2008
Chuva. Música. Oscar Wilde
Eu não sei se foi o dia... A chuva, o céu cinzento, com brechas azuis.
Não sei se foi a música. Não sei se foi o livro.
Provavelmente o livro.
Mas a mistura dos três mexeu comigo, de uma maneira que há muito tempo eu não sentia. E ao olhar para o céu, para a rua, as pessoas, o mar, senti. Não sei o que, mas senti, e foi forte, tão forte! Mal pude me conter, e chorei, ali mesmo, no ônibus, olhando pela janela e sentindo.
Aquela lágrima que não pude conter, e por não contê-la, fui incapaz de secá-la. Deixei que se fosse, e que a sensação permanecesse em meu rosto.
Palavras...
Talvez eu saiba, se pensar no livro. Na inocência que Henry exulta ao tirar de Dorian, aos poucos. E que faz com que Basil perca, aos poucos, a expressão de sua arte.
Palavras, tolas, que Henry pronunciou.
Palavras, simples, que ouvi.
Eu não sabia que ainda era capaz de sentir essa fisgada no estômago. E que a sensação podia durar por tanto tempo. E crescer, misturar-se com outras impressões, e transformar-se nesse sentimento... melancolia, nostalgia, essa tristeza ao descobrir... Mas o que eu descobri? Que descoberta foi essa que me deixou assim? Tão sensível, tão susceptível ao mundo, às suas dores, à sua beleza, a esse céu cinzento.
E ainda está aqui, eu sinto! Eu simplesmente precisava me enfiar no meio da pessoas, justo eu, que detesto isso. Mas eu queria, eu precisava esbarrar nelas, olhá-las, sentí-las, acariciá-las docemente com meu olhar de descoberta. Ah, e como é bom!
Não sei por que, há tanto tempo não fazia isso, não olhava para as pessoas nas ruas como elas são, humanas. Humanos na feira, humanos nos ônibus, humanos no bar, na faixa de pedestres, nas lojas. Humanos com dores e alegrias, pensamentos, sentimentos, tristezas, sofrimentos, amores.
Foi isso que senti? O que senti quando vi aquela mulher, velha, baixa, grisalha, procurando alguma coisa na bolsa, para dar ao balconista da lanchonete, meio desamparada, eu quis abraçá-la! Abraçá-la! Ajudá-la, eu quis dizer-lhe algo, e nem sei o que. E essa sensação... Eu não sei, não entendo o que aconteceu.
E da vontade de estar entre as pessoas, de sentir como se fosse uma parte delas, veio a vontade de estar entre os pássaros, de ver a velha figueira. Eu fui. E sentada no banco, fitando-a - imensa, com seus braços compridos, sustentados por barras de ferro - eu pensei: Quantas vidas humanas não passaram por ela? Quantas lágrimas, risos, conversas ela não viu e ouviu? E quando não havia uma praça, e quando não havia barras de ferro, quando lutava pela luz do sol com outras árvores, como era? Como? Seus braços, suas raízes, sua forma, tudo nela me fazia indagar, me fazia pensar, e olhar, simplesmente admirar sua vida, sua luta, e sua forma.
Não sei como, mas pensei tantas coisas ao mesmo tempo, que nem sabia o que pensar.
E a música. E a chuva. E Dorian Gray.
Essa mistura ainda está aqui, fazendo efeito sobre mim. Assim como as palavras.
Meu Deus, é tudo tão lindo!
É tudo tão triste.
E a ausência... Esse sentimento, que são muitos formando um, é lindo, e perigoso. Não sei por que.
"Meu Deus", também isso eu senti, a falta de um deus, um deus que não sei onde foi parar. Quando penso nisso, nessa ausência, eu não entendo. Não entendo por que deixei de ver as coisas como eu via antes, também não saberia explicar por que isso aconteceu, e se me perguntassem: Mas vc não acredita mais? Eu não saberia responder, e toda vez que ouço essa palavra, toda vez que alguém fala em fé, em religião, eu sinto uma coisa estranha, como se falassem no nome de alguém que já se foi, e deixou um vazio imenso dentro de mim. E por saber que não tem volta, simplesmente não consigo falar a respeito. E quando penso: Antes eu diria Meu Deus, me ajuda! e agora, agora não digo nada, só sinto, sinto que só depende de mim.
Como eu poderia dizer... Quando falam em religião, tenho vontade de correr, talvez seja esse o sentimento quando dizem: Como o diabo corre da cruz.
Mas é só por que não quero me defrontar com as pessoas e com a sua fé. Por que quando as vejo, lembro do que eu sentia, e não entendo por que não sinto mais.
Mas é estranho não? Uma pessoa ficar assim perdida com relação a um criador, e sentir o que senti hoje, o que venho sentindo já a algum tempo. Que vale a pena, mesmo a dor, mesmo essa ausência, e o vazio que sinto às vezes. Que vale a pena estar vivo, que vale a pena amar, que vale a pena Ser Humano.
Se demônios existissem, esse seria o momento perfeito para me levarem, me ludibriarem e fazer com que Deus perdesse mais um de seus filhos. Mas não é o que está acontecendo. Com minha tristeza, com a ausência, com esse amor que deixo preso, eu ainda busco pela luz, ainda luto pela vida, ainda quero encontrar o amor verdadeiro, quero sentí-lo, vivê-lo.
Minha consciência, talvez seja "meu anjo da guarda" contra os demonios.
É, não consigo não falar de mim, e de meus sentimentos. Talvez seja uma limitação que eu tenha, ou talvez... Eu não tenha outra maneira de descrever o mundo, a não ser através de meus sentimentos.
C.C.


Não sei se foi a música. Não sei se foi o livro.
Provavelmente o livro.
Mas a mistura dos três mexeu comigo, de uma maneira que há muito tempo eu não sentia. E ao olhar para o céu, para a rua, as pessoas, o mar, senti. Não sei o que, mas senti, e foi forte, tão forte! Mal pude me conter, e chorei, ali mesmo, no ônibus, olhando pela janela e sentindo.
Aquela lágrima que não pude conter, e por não contê-la, fui incapaz de secá-la. Deixei que se fosse, e que a sensação permanecesse em meu rosto.
Palavras...
Talvez eu saiba, se pensar no livro. Na inocência que Henry exulta ao tirar de Dorian, aos poucos. E que faz com que Basil perca, aos poucos, a expressão de sua arte.
Palavras, tolas, que Henry pronunciou.
Palavras, simples, que ouvi.
Eu não sabia que ainda era capaz de sentir essa fisgada no estômago. E que a sensação podia durar por tanto tempo. E crescer, misturar-se com outras impressões, e transformar-se nesse sentimento... melancolia, nostalgia, essa tristeza ao descobrir... Mas o que eu descobri? Que descoberta foi essa que me deixou assim? Tão sensível, tão susceptível ao mundo, às suas dores, à sua beleza, a esse céu cinzento.
E ainda está aqui, eu sinto! Eu simplesmente precisava me enfiar no meio da pessoas, justo eu, que detesto isso. Mas eu queria, eu precisava esbarrar nelas, olhá-las, sentí-las, acariciá-las docemente com meu olhar de descoberta. Ah, e como é bom!
Não sei por que, há tanto tempo não fazia isso, não olhava para as pessoas nas ruas como elas são, humanas. Humanos na feira, humanos nos ônibus, humanos no bar, na faixa de pedestres, nas lojas. Humanos com dores e alegrias, pensamentos, sentimentos, tristezas, sofrimentos, amores.
Foi isso que senti? O que senti quando vi aquela mulher, velha, baixa, grisalha, procurando alguma coisa na bolsa, para dar ao balconista da lanchonete, meio desamparada, eu quis abraçá-la! Abraçá-la! Ajudá-la, eu quis dizer-lhe algo, e nem sei o que. E essa sensação... Eu não sei, não entendo o que aconteceu.
E da vontade de estar entre as pessoas, de sentir como se fosse uma parte delas, veio a vontade de estar entre os pássaros, de ver a velha figueira. Eu fui. E sentada no banco, fitando-a - imensa, com seus braços compridos, sustentados por barras de ferro - eu pensei: Quantas vidas humanas não passaram por ela? Quantas lágrimas, risos, conversas ela não viu e ouviu? E quando não havia uma praça, e quando não havia barras de ferro, quando lutava pela luz do sol com outras árvores, como era? Como? Seus braços, suas raízes, sua forma, tudo nela me fazia indagar, me fazia pensar, e olhar, simplesmente admirar sua vida, sua luta, e sua forma.
Não sei como, mas pensei tantas coisas ao mesmo tempo, que nem sabia o que pensar.
E a música. E a chuva. E Dorian Gray.
Essa mistura ainda está aqui, fazendo efeito sobre mim. Assim como as palavras.
Meu Deus, é tudo tão lindo!
É tudo tão triste.
E a ausência... Esse sentimento, que são muitos formando um, é lindo, e perigoso. Não sei por que.
"Meu Deus", também isso eu senti, a falta de um deus, um deus que não sei onde foi parar. Quando penso nisso, nessa ausência, eu não entendo. Não entendo por que deixei de ver as coisas como eu via antes, também não saberia explicar por que isso aconteceu, e se me perguntassem: Mas vc não acredita mais? Eu não saberia responder, e toda vez que ouço essa palavra, toda vez que alguém fala em fé, em religião, eu sinto uma coisa estranha, como se falassem no nome de alguém que já se foi, e deixou um vazio imenso dentro de mim. E por saber que não tem volta, simplesmente não consigo falar a respeito. E quando penso: Antes eu diria Meu Deus, me ajuda! e agora, agora não digo nada, só sinto, sinto que só depende de mim.
Como eu poderia dizer... Quando falam em religião, tenho vontade de correr, talvez seja esse o sentimento quando dizem: Como o diabo corre da cruz.
Mas é só por que não quero me defrontar com as pessoas e com a sua fé. Por que quando as vejo, lembro do que eu sentia, e não entendo por que não sinto mais.
Mas é estranho não? Uma pessoa ficar assim perdida com relação a um criador, e sentir o que senti hoje, o que venho sentindo já a algum tempo. Que vale a pena, mesmo a dor, mesmo essa ausência, e o vazio que sinto às vezes. Que vale a pena estar vivo, que vale a pena amar, que vale a pena Ser Humano.
Se demônios existissem, esse seria o momento perfeito para me levarem, me ludibriarem e fazer com que Deus perdesse mais um de seus filhos. Mas não é o que está acontecendo. Com minha tristeza, com a ausência, com esse amor que deixo preso, eu ainda busco pela luz, ainda luto pela vida, ainda quero encontrar o amor verdadeiro, quero sentí-lo, vivê-lo.
Minha consciência, talvez seja "meu anjo da guarda" contra os demonios.
É, não consigo não falar de mim, e de meus sentimentos. Talvez seja uma limitação que eu tenha, ou talvez... Eu não tenha outra maneira de descrever o mundo, a não ser através de meus sentimentos.
C.C.


Marcadores:
viagens
9/25/2008
O retrato de Dorian Gray
Estou lendo O retrato de Dorian Gray.
É engraçado, por que quando eu tinha uns 12 anos, minha professora da sexta série escolheu três livros, e cada aluno deveria escolher um livro entre os três, para ler, e fazer uma prova sobre. Dentre estes livros estava O retrato de Dorian Gray, que eu peguei na hora para ler, mas acabei achando estranho, sei lá, e não li. Fiz a prova sobre As mil e uma noites (versão juvenil e beeeeeeem cortada).
Desde então tinha esse preconceito tolo com o livro.
Bom, acabei lendo uma parte de A balada do cárcere de reading um dia, e achei maravilhosa. Descobri que o autor era o mesmo de O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde. O fato é que li outras coisas de Oscar Wilde, algumas citações, outros trechos de A balada e fiquei com a idéia de que deveria pôr um fim no meu preconceito infeliz e ler Dorian Gray.
E agora, depois de alguns anos desde essa resolução, finalmente o tenho em mãos.
E é maravilhoso.
É claro que meu ser de 12 anos não entenderia muito bem o que estava lendo. Mas meu ser de 20 entende, e gosta muito do que está lendo^^
Estou só no início do livro, e já estou aqui falando sobre ele!
Mas então, fica a dica: O Retrato de Dorian Gray vale a pena, e qualquer coisa de Oscar Wilde também.
C.C.
É engraçado, por que quando eu tinha uns 12 anos, minha professora da sexta série escolheu três livros, e cada aluno deveria escolher um livro entre os três, para ler, e fazer uma prova sobre. Dentre estes livros estava O retrato de Dorian Gray, que eu peguei na hora para ler, mas acabei achando estranho, sei lá, e não li. Fiz a prova sobre As mil e uma noites (versão juvenil e beeeeeeem cortada).
Desde então tinha esse preconceito tolo com o livro.
Bom, acabei lendo uma parte de A balada do cárcere de reading um dia, e achei maravilhosa. Descobri que o autor era o mesmo de O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde. O fato é que li outras coisas de Oscar Wilde, algumas citações, outros trechos de A balada e fiquei com a idéia de que deveria pôr um fim no meu preconceito infeliz e ler Dorian Gray.
E agora, depois de alguns anos desde essa resolução, finalmente o tenho em mãos.
E é maravilhoso.
É claro que meu ser de 12 anos não entenderia muito bem o que estava lendo. Mas meu ser de 20 entende, e gosta muito do que está lendo^^
Estou só no início do livro, e já estou aqui falando sobre ele!
Mas então, fica a dica: O Retrato de Dorian Gray vale a pena, e qualquer coisa de Oscar Wilde também.
C.C.
Marcadores:
Livros
9/24/2008
Destino

Uma vez falei sobre o destino, durante essa semana tenho pensado muito sobre isso. O que somos capazes de mudar, até que ponto um acontecimento pode ser obra do destino, ou mera coincidência? Existe coincidência?
Sempre que uma pessoa entra na minha vida, eu penso sobre isso. O que nos ligou? Por que começamos a conversar? Por que eu?
Com algumas é mais especial, por que não é só o fato de começarmos uma amizade, mas o que eu senti assim que vi a pessoa a primeira vez… Como uma ligação especial, e fosse inevitável o fato de que iríamos nos conhecer, porque nós já nos conhecíamos.
Não sei se essa pessoa sente o mesmo, eu nunca perguntei, a nenhuma delas. Mas a idéia de que tudo tem um propósito me persegue, sempre perseguiu.
Ás vezes eu afasto isso, como se fosse uma heresia, mas as coisas acontecem, e a idéia volta, como se o fato de eu não querer acreditar não a impedisse de ser real.
Então, quando é forte de mais, quando o acontecimento é doloroso ou alegre de mais, eu suspiro “É o destino…” e é como se tudo estivesse claro.
Mas não pode ser assim, e eu sei disso. Tem coisas que nós pudemos mudar, mas como? Na verdade, acho que essa é a questão fundamental disso tudo, como posso mudar…?
Falam sobre sinais, ah sim, é mais fácil do que isso, eu sei. Ir contra o inevitável é a coisa mais simples que existe, mas assim como o perdão, é a mais difícil de se praticar.
E só existem aquelas duas escolhas, no fim: Deixar que o problema tome conta da sua vida, ou simplesmente resolvê-lo. Decidir se o dia vai ser alegre, ou triste. Discutir ou relevar. Sorrir, ou chorar.
Coisas simples, simples até de mais…
No final das contas, só depende de nós, mudar o destino, aceitá-lo, entregar-se. Só depende de nós.
Acho que minha maior dificuldade é essa, confiar em mim, e aceitar que ninguém pode fazer nada no meu lugar, precisa partir de mim.
E o destino? Sei que as Parcas tecem o seu fio com cuidado e sem piedade, mas quem sabe até que ponto?
17 de dezembro de 2007
C.C.
Marcadores:
texto desenterrado
9/23/2008
Conto do Reino das Trevas
Primeiros dias de escuridão
Aquele buraco, era sempre uma lembrança cruel.
A escolha de uma nova vida é algo dificíl, vivê-la, é ainda mais.
Sempre perdido...Sempre.
E quando olhava em volta, a única coisa que reconhecia, a única coisa que o fazia sentir-se em casa, era seu sorriso, seu olhar, sua presença.
E buscava por ela, mesmo quando não percebia.
E agora...
Longe do sorriso, do olhar. Como ele poderia achar novamente o caminho para casa...
Perdido, sozinho, esquecido, e condenado.
Á noite, quando os gritos misturavam-se na histeria coletiva do Reino, os seus, eram os mais altos, os mais horríveis e angustiantes.
Na escuridão, a falta misturava-se com a culpa, e a dor atingia seu ápice. Rasgar a própria carne e arrancar fora o coração, era sua única saída, e nem a isso, ele tinha direito.
C.C.
Aquele buraco, era sempre uma lembrança cruel.
A escolha de uma nova vida é algo dificíl, vivê-la, é ainda mais.
Sempre perdido...Sempre.
E quando olhava em volta, a única coisa que reconhecia, a única coisa que o fazia sentir-se em casa, era seu sorriso, seu olhar, sua presença.
E buscava por ela, mesmo quando não percebia.
E agora...
Longe do sorriso, do olhar. Como ele poderia achar novamente o caminho para casa...
Perdido, sozinho, esquecido, e condenado.
Á noite, quando os gritos misturavam-se na histeria coletiva do Reino, os seus, eram os mais altos, os mais horríveis e angustiantes.
Na escuridão, a falta misturava-se com a culpa, e a dor atingia seu ápice. Rasgar a própria carne e arrancar fora o coração, era sua única saída, e nem a isso, ele tinha direito.
C.C.
Marcadores:
conto
9/21/2008
Here Comes The Sun
A escolha foi feita, a pedra foi lançada. Um jogo termina e dá início a outro. Somente um jogador pode continuar, o outro terá, inevitavelmente, que mudar.
A resposta será achada, a pergunta pode ser a certa desta vez. Talvez não seja a resposta que esperava, mas a verdade nem sempre é agradável - na verdade, quase nunca é. Aquele que ouve está a caminho, no meu caminho, e espero sua volta.
E no futuro próximo, o sol voltará a brilhar para esse ser que está, a tanto tempo, perdido nas brumas.
E ela segue com um novo brilho nos olhos, afinal, o Sol está a caminho.
Here Comes The Sun
The Beatles
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right
Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
Here comes the sun, here comes the sun,
It's all right
It's all right

A resposta será achada, a pergunta pode ser a certa desta vez. Talvez não seja a resposta que esperava, mas a verdade nem sempre é agradável - na verdade, quase nunca é. Aquele que ouve está a caminho, no meu caminho, e espero sua volta.
E no futuro próximo, o sol voltará a brilhar para esse ser que está, a tanto tempo, perdido nas brumas.
E ela segue com um novo brilho nos olhos, afinal, o Sol está a caminho.
Here Comes The Sun
The Beatles
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right
Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
Here comes the sun, here comes the sun,
It's all right
It's all right

Marcadores:
o sol
9/18/2008
The Phantom of my heart

"Only you can make with my song take fly"
"It's over now the music of the night..."
The Phantom of the Opera
As últimas palavras do fantasma, antes de ele desaparecer.
Adoro esse filme, qualquer versão, mas esta última, apesar de ser diferente e mais romântica, é uma das minhas preferidas.
Nho, sempre choro no fim...
*Olhos vermelhos e ardendo, acabou de ver o filme e de derramar mais um rio de lágrimas por causa do pobre fantasma*
Ainda assim, apesar de tudo que possam dizer (e principalmente por que este fantasma é lindo apesar do rosto deformado), eu teria ficado, de bom grado, com ele no seu reino de escuridão eterna. Talvez por viver, eu mesma, em um mundo não muito luminoso...
Diria: Que se dane você Raoul, vou ficar aqui embaixo com o fantasma!
Mas isso sou eu, que não me importo em vivar em um mundo de trevas.
Realmente não seria agradável para a Cristine... Que bom que ela o rejeitou, ele sempre terá o meu coração.
^^
Ok, chega de viagens...
*Mas que EU ficaria com o fantasma, ficaria (acho o Raoul tão sem graça... Ainda bem que não tem ngm pra me encher o saco e ficar dizendo: Mas o Raoul só queria salvá-la! Ele queria libertá-la da escuridão! Queria que ela fosse livre! bla bla bla To nem aí, ele é sem graça do mesmo jeito xD).*
Como dizia meu professor: gosto não se discute, se lamenta...
>D
Até^^/
Marcadores:
viagens
Subscribe to:
Posts (Atom)