11/02/2009

Reflexos

Era como se chovesse dentro do meu peito... Aquela chuva morna de verão, que deixa as crianças eufóricas, brincando e correndo, encharcadas; sorrisos, gritos e palhaçadas. Era como se a primavera espalhasse dentro do meu peito o cheiro de jasmim, com sua brisa suave, os pés descalços na grama, e à minha frente um campo de flores silvestres.
Era como se o mar cobrisse minha alma com suas ondas, num movimento lento e harmonioso, num dia ensolarado de verão, com o céu azul enfeitado com nuvens brancas e fofas.
E com meus olhos fechados, parecia uma noite estrelada, com uma orquestra de cigarras e zumbidos embalando meus sonhos. E um vento leve soprando em meus ouvidos uma canção de ninar.
E eu podia andar descalça pela areia branca, ou correr sobre a grama molhada, nossas mãos entrelaçadas, nosso riso alegre, despreocupado, nossa alma plena.
E mesmo quando parecia que era outono em meu peito, com as folhas caindo vagarosamente até o chão, tinha aquele céu azul limpo, e o sol brilhava, radiante, dentro de mim.
E era como se cada segundo, durasse uma eternidade...

C.C.

10/31/2009

Halloween again

Na cultura Celta, o Samhain, comemorado no dia 31 de outubro, marcava tanto o fim quanto o início de um novo ano. Nessa noite o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais tênue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com quem já partiu.

Agora, deixando a cultura celta de lado...

HAPPY HALLOWEEN!!!!!
E homenageando o Rei do Horror nesta noite, com vocês, Jack!!



Não terei história de halloween este ano, a Morte está com a família em Vinhedo e não me dará a honra de sua presença nesta noite ilustre.
Mas!
Como sua serva fiel desejo, em nome dela, um feliz halloween para todos xD
E irei comemorá-lo assistindo um filminho de terror mais tarde \o/ \o/

C.C.

10/26/2009

Les Memoires Blessees - Piano Improvisation

Samuca tocando uma improvisação de Les Memoires Blessees da banda Dark Sanctuary. É incrível como ele consegue pegar uma música de ouvido e transformá-la dessa forma O.o
A música original é um dueto de piano e violino, bem simples, mas é uma das minhas músicas preferidas, e essa versão do samuca ficou linda, fui obrigada a colocá-la aqui.
Para os que leram Contos do Reino das Trevas (que por acaso está meio parado no tempo, soooorry), esta é a música que deu origem ao Hamon, e toda vez que a ouço posso fechar os olhos e vê-lo sentado em frente ao piano, tocando... É a música que sai da sua alma.

Obrigada Samuca^^
Eu realmente adorei*-*

10/15/2009

Quatro Estações (Mestre Stephen King)

Outono da Inocência

"As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar. São coisas das quais você se envergonha, pois as palavras as diminuem - as palavras reduzem as coisas que pareciam ilimitáveis quando estavam dentro de você à mera dimensão normal quando são reveladas. Mas é mais que isso, não? As coisas mais importantes estão muito perto de onde seu segredo está enterrado, como pontos de referência para um tesouro que seus inimigos adorariam roubar. E você pode fazer revelações que lhe são muito difíceis e as pessoas o olharem de maneira esquisita, sem entender nada do que você disse nem por que eram tão importantes que você quase chorou enquanto estava falando. Isso é pior, eu acho. Quando o segredo fica trancado lá dentro não por falta de um narrador, mas de alguém que compreenda."

página 1.

Volume três de Quatro Estações, de Stephen King

C.C.

10/14/2009

Mais um sobre nós

Corro as pontas dos dedos sobre as teclas, não há nada que eu possa dizer sobre mim, ou sobre os meus atos, sobre a minha vida ou as minhas razões. Sei que dentro deste receptáculo existe algo bom, que luta insistentemente, a cada segundo, com algo ruim.
Então, às vezes, sento na frente de um computador, abro uma janela que diz "Nova postagem", e começo a teclar. Devagar no início, correndo no fim.
Talvez fale sobre algo profundo, talvez fale sobre a vida, outras vezes posso falar sobre nada. Mas mesmo quando falo sobre nada, minhas palavras não são vazias, ao menos, não deveriam ser, cada uma carrega uma forte impressão ou sentimento, mas não sei se outros os podem perceber. Outros.
Ontem pensava sobre isso, os outros, e nós.
Por que temos a mania de classificar os outros como outros. Os outros não sabem, os outros não entendem, os outros não percebem, os outros não vêem. Vivemos no mesmo mundo achando que o mundo pertence a um eu, e não a todos os outros e ao nosso eu. Os outros sempre são o nosso maior problema. Se fulano não fosse tão assim, se ciclano não fosse tão assado. E o eu? Não gostamos de olhar no espelho e perguntar se o eu é um problema para um outro, afinal, se o for, o problema é do outro, não é?
Não. Mas cada um tem direito à sua opinião. E a minha opinião é a de que o problema sou eu, e se aquilo de bom dentro de mim não lutar com aquilo ruim, se meu lado altruísta não lutar com meu lado egoísta, se meu lado pacífico não lutar com meu lado bélico e meu lado alegre não lutar com meu lado triste, o problema é meu, mas é também dos outros, por que cada ação minha, reflete na vida do outro. Cada ação.
É uma lei da natureza, vale para qualquer coisa, para qualquer um, não apenas no estudo da física. Cada ação tem uma reação. Ninguém está imune à ela. Mas...
Queremos ser individuais em um mundo onde ninguém está sozinho, e é aí, justamente aí, que nasce nossos problemas.
Afinal de contas, nada melhor que soltar um "Dane-se, a vida é minha."
A vida é sua, mas infelizmente, o mundo não.

C.C.

10/05/2009

Reflexos

Busca

Era noite ainda, os postes de iluminação estavam acesos. Ele andava pela rua deserta arrastando sua mochila pelo chão. Estava cansado, seu corpo doía e sua mente parecia querer explodir dentro de sua cabeça. O que havia feito? Onde havia se perdido? em que momento deixara tudo para trás e embarcara naquela aventura louca, em busca de respostas que nunca seriam encontradas.
Parou em baixo de um poste e ficou olhando algumas mariposas voejando em volta da luz. Sentou-se no meio fio, puxando a mochila para perto do corpo. Estava praticamente vazia, não restara mais nada para ele, a não ser aquela sensação de impotência, de perda, um vazio imenso dentro de si. Olhou para os lados, para a rua onde crescera, estava tudo mudado, não reconhecia nada. Duvidava que alguém ainda fosse capaz de reconhecê-lo também, ele mesmo tomara um susto ao olhar-se no espelho, não era mais o seu rosto, não eram os seus olhos, não era ele.
Quanto tempo? Pensou, enquanto fitava o reflexo de um homem que não conhecia e tentava aceitar que fosse o seu próprio. Não sabia dizer... Tempo. Anos, dias, meses... Poderiam ter sido séculos e ainda assim não faria sentido. Nada fazia sentido agora. ele saíra em busca de uma resposta, sem estar certo da pergunta, sabendo que nunca a encontraria, e isso o mantinha vivo, ele tinha um propósito. Nunca imaginou que pudesse empenhar-se tanto, nunca antes dera atenção a qualquer coisa, a qualquer um.
Olhando-se no espelho ele soube o que fazia com que parecesse outra pessoa, um ser completamente diferente do que ele era, completamente diferente de qualquer homem sobre a terra.
Empenhara-se tanto, buscara tanto, e agora o peso da resposta curvara seus ombros e apagara o brilho de seus olhos. Não tinha para onde ir, nunca tivera de fato um lar, então colocou a mochila nas costas e deixou que seus pés o guiassem. E ali estava ele agora, sentado no meio fio, em frente à sua antiga casa, que agora era um prédio comercial.
Uma nuvem moveu-se no céu e a luz do luar iluminou o chão.
- Sem propósito. - Disse com a voz rouca. Olhou para o céu, estava nublado.
- Sem propósito algum.
Levantou-se, ainda encarando a lua.
- O que eu faço agora? - Tinha adquirido o hábito de conversar com o astro que o guiara durante tantas noites em sua jornada.- Não tenho casa, não tenho família, amigos, dinheiro, nada.
- Mas você tem a resposta. - Era aquela voz zombeteira novamente, que ele resolvera chamar de consciência.
- Vá para o inferno!
- Não era o que você queria? A Resposta?
- Deixe-me em paz...- Caiu de joelhos.
- Vou te dizer o que você deve fazer...
- Cale a boca! Não quero ouvir nada...
- Mais do que a resposta, você tem o conhecimento. Se não há mais caminho para percorrer, pare. Pare e olhe à sua volta. veja agora o mundo, com os olhos de quem sabe.
- O que ganho com isso?
- E o que ganhou com sua jornada? O vazio? O tédio? Que prêmio você conseguiu?! Pare!
Há um mundo novo surgindo diante de seus olhos, contemple-o, converse, chore se quiser chorar. Agora você pode ser quem você é.
- Quem sou... Eu não sei quem sou. - Disse com voz amargurada.
- E é por isso que sua jornada não te levou a lugar nenhum. Agora você sabe o que deve procurar, e é você mesmo.
Uma lágrima desceu por sua face, ele a provou com a língua.
- Salgada.
Levantou-se. Pela manhã encontraria um novo mundo, um mundo que veria pela primeira vez com seus novos olhos, olhos de quem não sabe quem é, e que não se importa se levar a vida toda para descobrir.

C.C.

9/21/2009

Good Enough

Evanescence
Composição: Amy Lee

Under your spell again
I can't say no to you
Crave my heart and it's bleeding in your hand
I can't say no to you

Shouldn't have let you torture me so sweetly
Now I can't let go of this dream
I can't breathe but I feel good enough
I feel good enough for you

Drink up sweet decadence
I can't say no to you
And I've completly lost myself and I don't mind
I can't say no to you

Shouldn't let you conquer me completly
Now I can't let go of this dream
Can't believe that I feel good enough
I feel good enough
It's been such a long time coming, but I feel good

And I'm still waiting for the rain to fall
Pour real life down on me
Cause I can't hold on to anything this good enough
Am I good enough for you to love me too?

So take care what you ask of me
Cause I can't say no


C.C.

9/20/2009

Reflexos

Sentia a vontade de renascer crescendo, como uma luz que saísse de dentro para fora, iluminando a escuridão em que se encontrava. Sentia o chamado do mundo, de almas que buscavam a sua, de olhares que tocavam o seu. Outras vidas batendo à porta de sua fortaleza em ruínas, ela sentia que era hora de dar um passo adiante, e deixar o passado atrás de si, com todas as lembranças, com todas as tristezas, e carregar consigo somente as risadas e o vento batendo no rosto, o toque, o brilho dos olhos, da alma.
Foi, um pé na frente do outro, reaprendendo a andar, sem a influência, tentando reestabelecer a independência. O sol iluminou seus olhos e o vento balançou seus cabelos. Longe do sorriso, do cheiro, ela sentiu a grama sob seus pés e correu descalça, cheirando flores, admirando pássaros, fitando o por do sol. Uma sensação de liberdade aflorou, e ela sorriu.
A cada passo a distância aumentava, e um dia, de repente, a saudade insinuou-se em seus sonhos, e sentiu falta.
Os olhos que decidira abandonar voltaram para lhe dizer que sentiam saudades, e o sorriso iluminou-se para prendê-los em um abraço de almas. Almas que se entendem, que se complementam... Almas que sofrem.
E lá estava novamente, em sua fortaleza semi-destruída, seguindo um pequeno faixo de luz, tentando reencontrar o caminho para a liberdade.
Novamente, um passo de cada vez.

9/06/2009

Reflexos

Eu não consigo esquecer que dentro de mim mora uma parte que é sua.
Quando há tanto tempo eu olhei para o céu e pedi que você viesse, a lua deveria ter-me dito naquele momento que não adiantaria.
Há uma promessa quebrada em meu peito, que abafa minha respiração, acelera meu coração e me transforma nos momentos em que a esperança era mais forte que a realidade, e sentindo seu toque, eu sabia que era real. Estávamos fadados um ao outro.
Transporto meu ser pelo espaço-tempo e sinto seu cheiro invadindo minha mente, movendo meus olhos para onde estavam os teus.
A lua deveria ter-me dito. Eu teria então chorado ante sua luminosidade impiedosa. Nada me impediria de seguir em frente, mas ao menos eu teria o aviso de alerta em minha mente a cada volta à realidade, eu teria a lembrança da Senhora da noite a fitar-me com olhos de pena e a dizer-me que tudo seria em vão.

Hoje olho para o céu e sei que ela tentou avisar-me. Mas fechei meus olhos. Fechei-me inteira ante qualquer possibilidade de perder-te. Mas a brisa sussurra em meus ouvidos que não podemos perder aquilo que nunca tivemos.
Em meu mundo você ainda é luz. Mas meu coração sabe que tal qual a lua, sua luz é inatingível, e a aceito como guia, iluminando minha escuridão.

C.C.

9/03/2009

História de outra mente.

Reminiscências

Era uma manhã cinzenta, o som das sirenes invadiam seu quarto através do pequeno orifício que havia em sua janela, já nem lembrava mais há quanto tempo ele existia. Sentou-se na cama, ignorando os pálidos raios de luz que insinuavam-se pelo chão. Lembrava-se do sonho, tão real quanto a lembrança que invocava. Quase todas as noites ela revivia as mesmas cenas: morte, sangue, dor, gritos, sirenes, fogo. Mas não naquela noite. Durante o sonho ela revivera o dia em que se despedira de vez de seu amado, e diante de seu túmulo, em meio ao caos de mais um ataque, jurara vingança.
Era uma manhã como aquela, o céu cinzento, algumas gotas de chuva caindo... Lembrava-se de que não havia dormido. Passara a noite toda andando pela cidade, desviando-se de poças de sangue, cadáveres, pedaços de concreto e madeira queimada. Algumas casas - ou o que restara delas - ainda ardiam em chamas, e iluminavam a cidade devastada. Com os pés descalços, machucados, e uma faixa cobrindo metade do braço e toda a mão direita, ela vagou. Um pouco antes da luminosidade surgir no horizonte - apesar da guerra e do caos, ela ainda surgia - parou em frente a um portão de ferro trabalhado, o cemitério. Entrou. Caminhou sem pressa por entre as covas e tumbas, percebendo que aos poucos sua audição voltava. Parou em frente a uma lápide.
- Dois meses...- Disse, ajoelhando-se e removendo alguns pedaços de ferro - destroços de alguma tumba que provavelmente fora saqueada ou atingida. Na lápide, algumas palavras já apagadas, a pedra não estava inteira. Nem os mortos tinham paz.
"Como posso olhar para aquele espaço vazio. Como aprender a suportar a dor que a saudade trás. Como ser humano, eu gostaria de entender. O que me faz suportar a pontada no peito. Como eu consigo lutar contra a vontade de deixar tudo. Como eu consigo suportar a vontade de igualar meu corpo à minha alma, e cortar meu ser em mil pedaços.
Ando pelas ruas esperando que um desastre me tire da rotina que a falta de seu sorriso me impôs. Sinto que poderia explodir e espalhar-me em sangue e carne e lágrimas, pelo chão, e isto não faria diferença. Não me importa estar viva ou morta, ou inteira. Prendo-me a estes sentimentos e luto contra os meus sentidos. Abafo os ruídos do mundo que me cerca, com o som interminável e rouco do seu grito de dor.
Com os olhos fechados para a realidade que me atropela com seu descaso e incompreensão, o que me guia pelas ruas e campos devastados, por entre corpos e estilhaços, é o meu eu inconsciente. Como se minhas pernas ganhassem vida, levando-me até os lugares onde esperam te encontrar. Mas só o que encontram é o mesmo escuro, frio e insuportável espaço vazio.
Meus olhos criam sua imagem, e elas correm até sua presença - ausente. Não há nada lá. Não há nada em lugar algum, e a ausência da sua voz pesa em meus ouvidos; a ausência de seu rosto cega meus olhos e a ausência de seu toque adormece meu tato.
A ausência. Sua ausência... É só o que resta em meu coração."

Sonja* Sonneschein

*Lê-se Sônia.

Um amigo da faculdade está escrevendo uma história, e a Sonja tem base na minha pessoa xD
Estou ajudando a dar um passado para ela... Só o Délio sabe do futuro^^

C.C.