8/27/2012

A arte de escrever

Disseram uma vez que a arte de escrever consiste em se ter algo a dizer, e dizê-lo. Ás vezes se tem tanto a dizer que as palavras atropelam-se umas sobre as outras e nada coerente é capaz de escapar. Ás vezes o que temos a dizer perde-se no meio de divagações sobre o que é certo e errado e sobre o que deve ou não ser dito. A arte de escrever parece simplória , mas quando se almeja alcançar um certo nível, ela torna-se complexa e árdua.
Qualquer um pode escrever sobre a beleza de uma rosa, mas poucos são os que conseguem tornar a rosa algo realmente belo.

C.C.

8/04/2012

O Ciclo

O que eu achava importante postar aqui e dividir com o resto do mundo parece não ter mais espaço no ritmo atribulado em que tenho vivido. Palavras cheias de significado ficam aqui empoeiradas, enquanto dentro de mim uma revolta surda cresce. A diferença é que eu sei que ela está crescendo dentro de mim - eu sei - e a cada dia que passa mais cresce minha indiferença. Algum tipo de alarme deveria ter começado a soar em algum momento nestes dois últimos anos, e acho mesmo que eu ouvi algo familiar, mas o dia-após-dia-após-dia-após-dia-após....
Silêncio.
Misturando-se aos milhares de sons e ruídos do caos que nos rodeia, o alarme tornou-se parte do meio, e no afã de liberar meus pensamentos do barulho excessivo, eu o perdi.
Duas vozes controlam minhas ações: uma fala do caminho a seguir, a outra, da escolha. Acho que todo fim de ciclo é marcado por estas duas vozes.
Falei sobre a revolta que cresce dentro de mim, eu a sinto o tempo todo e na tentativa de me livrar dela, eu me torno indiferente. Novamente, dia-após-dia-após-dia-após-dia-após-dia-após.....
Creio que nesta altura eu já tenha me distanciado de um certo numero consideravel de amigos, não porque eles tenham deixado de significar algo para mim, mas simplesmente porque eu não podia mais. Eu tinha uma escolha a fazer, e eu a fiz. Eu escolhi a revolta, e a indiferença.
Certamente me parecia impossível seguir em frente.
"Se eu me sinto só? Não. Se eu sinto falta dos meus amigos? Com certeza.
Mas ainda faltam seis meses até a loucura acabar, e o que as pessoas ao meu redor talvez ainda não tenham percebido é que eu troquei tudo, absolutamente tudo, pelo fim.
Eu não me importo mais, a única coisa que importa é um pedaço de papel.
Seja certo ou errado, justificavel ou não, eu não ligo.
E cada dia que passa, cada passo que dou em direção a esse dia me torna ainda mais indiferente, porque uma parte de mim ainda luta na tentativa de restaurar o que um dia eu fui, e é essa parte de mim que faz com que a minha revolta aumente.
Um dia eu disse aqui que devíamos manter nossas esperanças na humanidade, que valia a pena continuar tentando. O fato é que, hoje, eu simplesmente não me importo mais.
Eu não sei se vale a pena. Eu não sei se vale o esforço. Acho que esse curso maldito finalmente conseguiu, ele tomou a minha vida, e agora, está tomando a minha alma.
E eu sei. E eu não ligo a mínima para isso.
Essa é a voz que fala sobre o futuro.
"Não é certo. Tantas escolhas, tantas oportunidades. O sol aquecendo minhas mãos, o frio penetrando minha pele, as palavras - elas ainda têm um significado. Ainda existe aquele brilho nos olhos e o sorriso sincero. Ainda existem pessoas pelas quais se vale a pena seguir em frente. Pessoas que ainda não estão aqui, aquelas que se tornarão - e talvez até mesmo já sejam - as mais importantes da sua vida: seus filhos.
Sorria. Releve. Respire. Calma. Calma. Calma. Calma. Calma. Calma. Não vale a pena se estressar por isso. Calma. Calma. Calma. Existe muito mais do que isso, e não vale a pena perder a cabeça. Respire. Releve. Calma. Sorria."
Essa voz, fala sobre as escolhas.
Ela diz que eu posso escolher ser feliz. O problema, é que esse maldito pedaço de papel não vai servir para nada se eu escolher a felicidade. Porque eu não consigo ser feliz num lugar onde as pessoas não têm respeito, não se importam, e são indiferentes. Isso me deixa enjoada, irritada, revoltada. Isso me torna indiferente. Esse lugar, ele me torna aquilo que eu não suporto, aquilo que eu abomino.
Se eu continuar...
Mas se eu não continuar, para onde devo ir? Que caminho seguir? Onde é o meu lugar?
Eu não sei.

C.C.

2/18/2012

Teu doce sabor

A claridade meus olhos invade
Sinto o peso que sua falta faz
O ar não me entra nos pulmões
E sinto as batidas aceleradas de meu coração .

Tento levantar-me
Minha cabeça gira
A dor quase me cega
Tropeço em direção a luz .

Longe de casa
Longe de minha amada
Anseio pelo teu calor
Teu sabor que me devolve a vida .

Busco desesperadamente te encontrar
Nesta casa estranha, onde estarás?
Ainda lutando contra a dor eu busco
E como por milagre, lhe encontro.

Doce como o céu
Onde teu sabor me leva
Amargo como o inferno
Onde tua falta me atira.

Sôfrego, tomo-a em minhas mãos
Sôfrego, bebo de teu elixir.
Tua essência acalma minhas dores e meus anseios
Tua essência me devolve a paz.

Enamorado fito tua superfície negra
Escondida estás nesta bebida mágica
Dona de minhas idéias, senhora dos meus dias!
Minha amada Cafeína.

C.C.

2/08/2012

Equilibrium

Algumas vezes nos encontramos onde deveríamos estar, numa espécie de equilíbrio emocional, onde poucas coisas são capazes de nos abalar, onde não importa o que aconteça, encontramos sempre o chão debaixo de nossos pés e seguimos em frente. Outras - a maior parte do tempo - não.
É incrível a maneira como chegamos no estado de equilíbrio, mas mais incrível ainda é a maneira que saímos dele. Não é algo que se perceba de imediato - em ambos os casos. Então como chegar lá? Como sair?
Somos simplesmente jogados em determinado momento de nossas vidas, e depois de certo tempo tragados de volta para o caos? Ou caminhamos lentamente, sem perceber, para o equilíbrio ou para o caos.
Manter-se firme na corda bamba é um dom, cair é uma lei natural. Muitos caem, alguns levantam e continuam tentando, raros são os que chegam até o fim sem uma queda em seu histórico. O importante, é continuar tentando.
Lembrar que cada ato é seguido de uma consequência é o essencial para se manter na corda bamba, pois o menor descuido pode nos levar ao chão - a menor distração, pode ser fatal.
Lá vamos nós, outra vez.

C.C.

2/02/2012

Reflexos

A luz continua mudando, a cada ano que passa eu percebo essa mudança. Como se minha memória fosse mais nítida, ou o que está diante de meus olhos, mais apagado. Talvez o mundo esteja mesmo perdendo a sua cor, mas temo que sejam meus olhos que estejam perdendo a esperança.
Agarro-me aos matizes esverdeados que emolduram o castanho de teus olhos e ao brilho vívido de seu olhar quando me contemplas - e esta, é a única esperança que me resta.

C.C.

1/18/2012

Deserto

Meus sentimentos ecoam
Uma vontade que me invade
Sinto a fúria que me atinge
As lágrimas que rolam

O olhar de fogo penetra
Meu coração queima,
minhas entranhas
Livre sou - livre parto.

Ao redor um grito cresce
A fúria não saciada
A vitória não o aquiesce
O ódio não se acalma.

O descanso tão esperado
Minhas lágrimas o chão encharcam
Meu corpo jaz a seu lado
Lealdade? Não conheci.

Meu espírito é livre;
Minha batalha eu venci.

C.C.

11/02/2011

Quando temos uma visão da realidade

É muito bonito falar de amizade como se fosse a coisa mais importante do mundo e na hora em que uma pessoa precisa do seu apoio, ao invés de demonstrar compreensão, você exigir ainda mais dela.

Meus amigos, meus verdadeiros amigos, são aqueles que não estão ao meu lado o tempo todo, aqueles que mal tenho tempo para ver ou falar, aqueles que às vezes nem sabem o que está acontecendo na minha vida no momento, mas que quando nos encontramos novamente colocamos tudo em dia e a mera presença um do outro é motivo de alegria.
São aqueles que ao invés de me cobrar tempo, pensam em mim quando não estamos juntos e rezam para que esteja tudo bem, e para que possamos nos encontrar em breve, para que ele possa contar aquilo que despertou sua lembrança. Amigo de verdade é aquele que ao invés de exigir, lembra com carinho.

Amigo de verdade você só percebe que tem quando passa um ano sem saber um do outro e quando se reencontram o abraço que trocam e a alegria nos olhos são sinceros.

Algumas pessoas precisam ainda passar por muita coisa na vida para entender o verdadeiro significado da amizade, ao invés de ficar cobrando de alguém algo que nem ao menos sabem o que é.

Fiz meu último esforço ontem, hoje conversei com alguém que já viveu muito mais que eu e percebi que eu talvez pudesse até estar errada, mas com certeza um amigo de verdade ao invés de me acusar sem querer saber dos meu motivos teria antes se preocupado comigo e tentado conversar para saber o porque de minhas atitudes.

Quando precisei quem me apoiou foi aquele que disseram que seria apenas passageiro, enquanto amigos são para sempre. Então aqui devo fazer uma ressalva - amigos de verdade são para sempre, e de fato, estes se mostraram solidários e permaneceram ao meu lado.

Não estou em condições de querer agradar a todos, ou de me doar a todos. Estou fraca e cansada. Neste momento preciso pensar em me curar e em recuperar minhas energias. Retiro-me do jogo neste momento. Sei que aqueles que realmente me amam e se importam comigo irão entender e permancer ao meu lado. Não preciso mais do que isso.

C.C.

PS: O jasmineiro está com botões *-*

9/03/2011

Os sinos bradam

Os sinos bradavam e ela sabia que era hora. Já sentia o anúncio da música que viria dentro de si há muito tempo, e tentando ignorar os sinais, ela continuava no mesmo caminho, esperando.

Ao longo da estrada encontrou o que achava ser o sinal para continuar, mas o sinal era sempre uma esperança frustrada. Ela sabia que o que sentia não vinha de fora. Estava dentro dela, sempre.

Não culpava ninguém, nem o poderia. Não havia um culpado senão seu "sangue".

O tempo continuou passando e ela continuou andando. Ignorando os tropeços, ignorando obstáculos, ignorando a ausência, ignorando o som dos sinos que se tornava cada vez mais alto à medida que ela avançava.

E cada vez mais alto, cada vez mais alto, na tentativa desesperada de ignorá-los, não percebeu quando se desviou de seu caminho, um desvio muito sutil, que a levava direto para o som dos sinos.

Mas agora ela percebe que não está mais onde deveria estar, e que o som dos sinos não vinha de um lugar á frente, ele vinha de dentro. Já não tem mais coragem para ignorá-lo, sabe que a hora chegou, e aguarda.

8/22/2011

Enquanto isso, num banco do CTC

Segunda-feira.

Vento, chuva, frio. Muito frio. Ela está fadada a ficar num banco de um prédio de salas de aula em algum lugar da universidade, pois não há biblioteca. Tem muito barulho e nenhum conforto. A aula começa às 20:00, ainda falta uma hora. Quais as condições necessárias para um estudo de qualidade? Em primeiro lugar, um ambiente onde haja um mínimo de silêncio e conforto. Uma mesa ou uma cadeira já são o suficiente. Mas as salas estão ocupadas neste prédio, e no prédio no qual ela poderia ficar (o seu centro) as salas são trancadas à noite.

Greve.

Não aguento mais. Como alguém vai traçar gráficos sentado num banco??

Eu...Só queria um lugar decente pra estudar, já que é só o que faço da minha vida. É pedir demais?

C.C.


7/03/2011

Nina's dream

Era tarde e ela dormia tranquila em sua cama. As portas da casa estavam inquietas e as janelas rangiam em suas dobradiças. O vento agitava o mundo fora de sua casa, revirando latas e garrafas nas ruas, arrancando telhados de casas frágeis, levando terra pelas ruas e açoitando tudo e todos que entravam em seu caminho.

Nina nada via, Nina nada ouvia. Imersa em um mundo tranquilo onde apenas uma leve brisa brincava com seus cabelos, ela corria risonha por pastos verdes enquanto perseguia amigos que existiam apenas em seus sonhos. E quando acordava, Nina chamava por eles, enquanto a tempestade que assolara o mundo à noite, assolava agora os verdes pastos de seus sonhos.

C.C.

27/06/2011