Qualquer um pode escrever sobre a beleza de uma rosa, mas poucos são os que conseguem tornar a rosa algo realmente belo.
C.C.
Os sinos bradavam e ela sabia que era hora. Já sentia o anúncio da música que viria dentro de si há muito tempo, e tentando ignorar os sinais, ela continuava no mesmo caminho, esperando.
Ao longo da estrada encontrou o que achava ser o sinal para continuar, mas o sinal era sempre uma esperança frustrada. Ela sabia que o que sentia não vinha de fora. Estava dentro dela, sempre.
Não culpava ninguém, nem o poderia. Não havia um culpado senão seu "sangue".
O tempo continuou passando e ela continuou andando. Ignorando os tropeços, ignorando obstáculos, ignorando a ausência, ignorando o som dos sinos que se tornava cada vez mais alto à medida que ela avançava.
E cada vez mais alto, cada vez mais alto, na tentativa desesperada de ignorá-los, não percebeu quando se desviou de seu caminho, um desvio muito sutil, que a levava direto para o som dos sinos.
Mas agora ela percebe que não está mais onde deveria estar, e que o som dos sinos não vinha de um lugar á frente, ele vinha de dentro. Já não tem mais coragem para ignorá-lo, sabe que a hora chegou, e aguarda.
Segunda-feira.
Vento, chuva, frio. Muito frio. Ela está fadada a ficar num banco de um prédio de salas de aula em algum lugar da universidade, pois não há biblioteca. Tem muito barulho e nenhum conforto. A aula começa às 20:00, ainda falta uma hora. Quais as condições necessárias para um estudo de qualidade? Em primeiro lugar, um ambiente onde haja um mínimo de silêncio e conforto. Uma mesa ou uma cadeira já são o suficiente. Mas as salas estão ocupadas neste prédio, e no prédio no qual ela poderia ficar (o seu centro) as salas são trancadas à noite.
Greve.
Não aguento mais. Como alguém vai traçar gráficos sentado num banco??
Eu...Só queria um lugar decente pra estudar, já que é só o que faço da minha vida. É pedir demais?
C.C.
Era tarde e ela dormia tranquila em sua cama. As portas da casa estavam inquietas e as janelas rangiam em suas dobradiças. O vento agitava o mundo fora de sua casa, revirando latas e garrafas nas ruas, arrancando telhados de casas frágeis, levando terra pelas ruas e açoitando tudo e todos que entravam em seu caminho.
Nina nada via, Nina nada ouvia. Imersa em um mundo tranquilo onde apenas uma leve brisa brincava com seus cabelos, ela corria risonha por pastos verdes enquanto perseguia amigos que existiam apenas em seus sonhos. E quando acordava, Nina chamava por eles, enquanto a tempestade que assolara o mundo à noite, assolava agora os verdes pastos de seus sonhos.
C.C.
27/06/2011