2/15/2014

Tempestade


O céu prateado ferindo meus olhos com sua luminosidade, o arrepio gélido que percorre meus braços quando esta doce brisa os toca. Folhas agitam-se e galhos curvam-se sob a sua vontade. Percorrendo todos os caminhos sem discriminação, espalhando seu frio abraço.
Tão esperada e tão temida a tempestade se aproxima, como as árvores que durante séculos resistem a sua fúria, fincamos nossos pés ao chão e curvamo-nos ante a força bruta, devastadora, ante a renovadora tempestade de verão.

1/15/2014

Paz

Penso. Logo tudo vira motivo para se analisar. Não que tudo esteja bem... Algumas coisas saem do controle enquanto outras voltam a ser o que eram. Paz... Busco por essa palavra. Anseio por tudo que ela representa, mas aprendi que enquanto se vive dela não desfrutamos. É só uma ilusão. O Graal dos que já não podem, mas que ainda assim seguem em frente. Não é a vida que cansa, o trabalho, as contas... É o mundo! A sociedade insaciável com suas leis imutáveis e estúpidas. A ganância, a ambição e a miséria, não dos que imploram por comida e água, mas miséria de humanidade.
No afã de sermos únicos, a espécie escolhida, a raça suprema - afogamo-nos na miséria da alma e do ser. De superior o que nos resta? Seres deprimentes que acreditam tudo ser e nada fazem. Mentiras e hipocrisia decoram aquilo que chamamos sociedade. PAZ! Muitos pedem e poucos compreendem. Deus nos olha e ri, enquanto uma lágrima escorre solitária - "O que foi que eu fiz..."

C.C.

12/17/2013

SAGA - Filipe Catto

Tirando as teias do Blog


Saga - Filipe Catto

Andei depressa para não rever meus passos
Por uma noite tão fugaz que eu nem senti
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora
Só me restam devaneios do que um dia eu vivi

Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir

Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu contei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu

E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho com força, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer

E era de gozo, uma mentira, uma bobagem
Senti meu peito, atingido, se inflamar
E fui gostando do sabor daquela coisa
Viciando em cada verso que o amor veio trovar

Mas, de repente, uma farpa meio intrusa
Veio cegar minha emoção de suspirar
Se eu soubesse que o amor é coisa assim
Não pegava, não bebia, não deixava embebedar

E agora andando, encharcado de estrelas
Eu cantei a noite inteira pro meu peito sossegar
Me fiz tão forte quanto o escuro do infinito
E tão frágil quanto o brilho da manhã que eu vi chegar

E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho sorrindo, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer

C.C.


3/18/2013

A Fama da Fera

Teria chegado a tempo se não tivesse parado dois minutos para ir ao banheiro. Era o primeiro dia de aula numa disciplina em que a fama se espalha desde o topo da hierarquia acadêmica até as primeiras fases da graduação, não devido a sua dificuldade, mas devido ao seu ministrante. Uma disciplina prática de laboratório em que a pontualidade era essencial para a sobrevivência. Várias histórias aterrorizavam calouros e veteranos ano após ano, de criaturas que saiam aos prantos do laboratório e nunca mais eram vistas nos arredores do curso após alguns segundos de atraso.
Ela tinha certeza que por ser extremamente pontual em qualquer ocasião, isso nunca aconteceria com ela. Agora lá estava, sentada no banco do ônibus, os olhos grudados no relógio, as unhas sendo trituradas pelos dentes - ela rezava para que o veículo ganhasse asas, para se teletransportasse, ou que um raio o partisse em dois, em mil pedaços.
Desceu do onibus levando algumas bolsas, mochilas e pessoas de arrasto. Se ao menos tivesse conseguido segurar a vontade de ir ao banheiro por mais alguns segundos, não teria perdido o onibus, não teria pego um onibus que fosse quebrar cinco minutos após sair do terminal, e já estaria no laboratório, sorrindo. Mas não, lá estava ela, correndo pelo campus da universidade, entoando o mesmo mantra uma vez após a outra: Eu vou conseguir, vou chegar em cima da hora, mas vou conseguir.
Não conseguiu. Alcançou a porta do departamento no exato momento em que o professor se encaminhava para o laboratório. Correndo pelo corredor, viu o exato momento em que ele entrou na sala e fechou a porta atrás de si. Seu coração parou, suas pernas não. Quase caiu nesse desencontro de comandos, e acabou parando na porta da sala. Se entrasse sairia chorando e nunca mais seria vista no curso, se não entrasse choraria na próxima aula por não ter comparecido à primeira. Encarou a porta fechada por alguns segundos e tomou sua decisão. "Se vou acabar chorando mesmo, que seja agora que já corri feito louca pela universidade inteira." Respirou fundo e entrou.

- Muita coragem a sua entrar na minha aula a essa hora! O professor a fulminava com os olhos.
- Desculpe o atraso Professor. Disse, encarando-o, mesmo que estivesse somente uns trinta segundos atrasada. Ainda posso assistir sua aula?
- Muita coragem a sua perguntar isso! Por acaso não sabe que não tolero atrasos?!
- Desculpe Professor. A turma a encarava. A falta de sentido daquilo tudo a estava deixando com mais raiva do que com medo, para falar a verdade. E choro algum se pronunciava. Como não era minha intenção atrapalhar, só gostaria de saber se posso assistir a aula ou não. Se não, vou direto na secretaria trancar a matéria. Se sim, o Senhor tem minha palavra de que esse incômodo não se repetirá.
O Professor não havia desgrudado os olhos dos dela, mas diante de sua última frase, seu olhar reprovador havia se transformado em surpresa. A encarou por mais alguns segundos e então disse:
- Se é assim, vá logo colocar seu jaleco, já perdemos tempo demais. Mas se isso acontecer novamente, é melhor que nem entre!
- Sim, Senhor. Disse, e se dirigiu para o fundo do laboratório.
Todos na turma a encaravam como se ela fosse uma heroína. A primeira criatura em anos a conseguir se safar dos berros e ofensas do Professor e, mesmo atrasada, ainda conseguir assistir sua aula! Nada assim havia acontecido antes.
De sua parte, ela só via duas explicações, ou o Professor estava ficando velho e estava amolecendo, ou ela havia feito o que ninguém antes havia tentado, não tremera diante dele, não demonstrara medo, e fora sincera.

C.C.

12/02/2012

"A doce vida"

Uma palavra que nos momentos de fraqueza se faz presente e toma conta de tudo à minha volta. Desisto.
Quando se tenta e já tantas vezes o fracasso é a resposta; quando se levanta e o próximo passo te leva ao abismo; quando todos os seus esforços são desmerecidos e não há uma palavra, um olhar ou um sorriso que te guiem de volta para a luz... Desisto.
Os vencedores brindam e dançam enquanto meus sentimentos são abafados por uma total indiferença, e tempo e espaço já não mais existem. A realidade mostra-me as costas, e já não me importo mais.
Que deixem os Deuses com seus louros, e os mortais no esquecimento. Agrego-me a esta massa pulsante que já não sente e apenas existe, pois que este é o destino dos que fracassam.
Desistir é padecer no esquecimento.
Assim dito, levanto-me e sigo em frente.

C.C.

8/27/2012

A arte de escrever

Disseram uma vez que a arte de escrever consiste em se ter algo a dizer, e dizê-lo. Ás vezes se tem tanto a dizer que as palavras atropelam-se umas sobre as outras e nada coerente é capaz de escapar. Ás vezes o que temos a dizer perde-se no meio de divagações sobre o que é certo e errado e sobre o que deve ou não ser dito. A arte de escrever parece simplória , mas quando se almeja alcançar um certo nível, ela torna-se complexa e árdua.
Qualquer um pode escrever sobre a beleza de uma rosa, mas poucos são os que conseguem tornar a rosa algo realmente belo.

C.C.

8/04/2012

O Ciclo

O que eu achava importante postar aqui e dividir com o resto do mundo parece não ter mais espaço no ritmo atribulado em que tenho vivido. Palavras cheias de significado ficam aqui empoeiradas, enquanto dentro de mim uma revolta surda cresce. A diferença é que eu sei que ela está crescendo dentro de mim - eu sei - e a cada dia que passa mais cresce minha indiferença. Algum tipo de alarme deveria ter começado a soar em algum momento nestes dois últimos anos, e acho mesmo que eu ouvi algo familiar, mas o dia-após-dia-após-dia-após-dia-após....
Silêncio.
Misturando-se aos milhares de sons e ruídos do caos que nos rodeia, o alarme tornou-se parte do meio, e no afã de liberar meus pensamentos do barulho excessivo, eu o perdi.
Duas vozes controlam minhas ações: uma fala do caminho a seguir, a outra, da escolha. Acho que todo fim de ciclo é marcado por estas duas vozes.
Falei sobre a revolta que cresce dentro de mim, eu a sinto o tempo todo e na tentativa de me livrar dela, eu me torno indiferente. Novamente, dia-após-dia-após-dia-após-dia-após-dia-após.....
Creio que nesta altura eu já tenha me distanciado de um certo numero consideravel de amigos, não porque eles tenham deixado de significar algo para mim, mas simplesmente porque eu não podia mais. Eu tinha uma escolha a fazer, e eu a fiz. Eu escolhi a revolta, e a indiferença.
Certamente me parecia impossível seguir em frente.
"Se eu me sinto só? Não. Se eu sinto falta dos meus amigos? Com certeza.
Mas ainda faltam seis meses até a loucura acabar, e o que as pessoas ao meu redor talvez ainda não tenham percebido é que eu troquei tudo, absolutamente tudo, pelo fim.
Eu não me importo mais, a única coisa que importa é um pedaço de papel.
Seja certo ou errado, justificavel ou não, eu não ligo.
E cada dia que passa, cada passo que dou em direção a esse dia me torna ainda mais indiferente, porque uma parte de mim ainda luta na tentativa de restaurar o que um dia eu fui, e é essa parte de mim que faz com que a minha revolta aumente.
Um dia eu disse aqui que devíamos manter nossas esperanças na humanidade, que valia a pena continuar tentando. O fato é que, hoje, eu simplesmente não me importo mais.
Eu não sei se vale a pena. Eu não sei se vale o esforço. Acho que esse curso maldito finalmente conseguiu, ele tomou a minha vida, e agora, está tomando a minha alma.
E eu sei. E eu não ligo a mínima para isso.
Essa é a voz que fala sobre o futuro.
"Não é certo. Tantas escolhas, tantas oportunidades. O sol aquecendo minhas mãos, o frio penetrando minha pele, as palavras - elas ainda têm um significado. Ainda existe aquele brilho nos olhos e o sorriso sincero. Ainda existem pessoas pelas quais se vale a pena seguir em frente. Pessoas que ainda não estão aqui, aquelas que se tornarão - e talvez até mesmo já sejam - as mais importantes da sua vida: seus filhos.
Sorria. Releve. Respire. Calma. Calma. Calma. Calma. Calma. Calma. Não vale a pena se estressar por isso. Calma. Calma. Calma. Existe muito mais do que isso, e não vale a pena perder a cabeça. Respire. Releve. Calma. Sorria."
Essa voz, fala sobre as escolhas.
Ela diz que eu posso escolher ser feliz. O problema, é que esse maldito pedaço de papel não vai servir para nada se eu escolher a felicidade. Porque eu não consigo ser feliz num lugar onde as pessoas não têm respeito, não se importam, e são indiferentes. Isso me deixa enjoada, irritada, revoltada. Isso me torna indiferente. Esse lugar, ele me torna aquilo que eu não suporto, aquilo que eu abomino.
Se eu continuar...
Mas se eu não continuar, para onde devo ir? Que caminho seguir? Onde é o meu lugar?
Eu não sei.

C.C.

2/18/2012

Teu doce sabor

A claridade meus olhos invade
Sinto o peso que sua falta faz
O ar não me entra nos pulmões
E sinto as batidas aceleradas de meu coração .

Tento levantar-me
Minha cabeça gira
A dor quase me cega
Tropeço em direção a luz .

Longe de casa
Longe de minha amada
Anseio pelo teu calor
Teu sabor que me devolve a vida .

Busco desesperadamente te encontrar
Nesta casa estranha, onde estarás?
Ainda lutando contra a dor eu busco
E como por milagre, lhe encontro.

Doce como o céu
Onde teu sabor me leva
Amargo como o inferno
Onde tua falta me atira.

Sôfrego, tomo-a em minhas mãos
Sôfrego, bebo de teu elixir.
Tua essência acalma minhas dores e meus anseios
Tua essência me devolve a paz.

Enamorado fito tua superfície negra
Escondida estás nesta bebida mágica
Dona de minhas idéias, senhora dos meus dias!
Minha amada Cafeína.

C.C.

2/08/2012

Equilibrium

Algumas vezes nos encontramos onde deveríamos estar, numa espécie de equilíbrio emocional, onde poucas coisas são capazes de nos abalar, onde não importa o que aconteça, encontramos sempre o chão debaixo de nossos pés e seguimos em frente. Outras - a maior parte do tempo - não.
É incrível a maneira como chegamos no estado de equilíbrio, mas mais incrível ainda é a maneira que saímos dele. Não é algo que se perceba de imediato - em ambos os casos. Então como chegar lá? Como sair?
Somos simplesmente jogados em determinado momento de nossas vidas, e depois de certo tempo tragados de volta para o caos? Ou caminhamos lentamente, sem perceber, para o equilíbrio ou para o caos.
Manter-se firme na corda bamba é um dom, cair é uma lei natural. Muitos caem, alguns levantam e continuam tentando, raros são os que chegam até o fim sem uma queda em seu histórico. O importante, é continuar tentando.
Lembrar que cada ato é seguido de uma consequência é o essencial para se manter na corda bamba, pois o menor descuido pode nos levar ao chão - a menor distração, pode ser fatal.
Lá vamos nós, outra vez.

C.C.

2/02/2012

Reflexos

A luz continua mudando, a cada ano que passa eu percebo essa mudança. Como se minha memória fosse mais nítida, ou o que está diante de meus olhos, mais apagado. Talvez o mundo esteja mesmo perdendo a sua cor, mas temo que sejam meus olhos que estejam perdendo a esperança.
Agarro-me aos matizes esverdeados que emolduram o castanho de teus olhos e ao brilho vívido de seu olhar quando me contemplas - e esta, é a única esperança que me resta.

C.C.