2/20/2011

Cegueira auto induzida

O que me espanta é esta capacidade incrível que algumas pessoas têm de sempre se transformarem em vítimas. A distorção que conseguem fazer de uma frase, uma palavra, de conseguirem transformar dois em vinte, agora em ontem, sai em fica. Pessoas que olham tanto para o próprio umbigo que não conseguem perceber que o mundo não gira ao redor delas, e que os outros também sentem. Pessoas que são, na melhor definição da palavra - Cegas!

Vivem num mundo próprio e tentam a todo custo trazê-lo para aqueles que estão à sua volta. Então tudo é a respeito deles, e sua forma de viver e de pensar é a certa; não há necessidade de mudança - a não ser a mudança necessária para que os resto do mundo se adeque à sua maneira de viver.

Eu me espanto, porque nada do que seja dito será ouvido; as palavras parecem sofrer uma mutação durante o caminho até seus ouvidos e tomam outro significado.

Eu me espanto, porque não adianta quantas vezes alguém tente lhes estender a mão, essa mão ficará vazia, porque o Cego simplesmente não a enxerga - não quer enxergar.

Espanta-me infinitamente, porque não há nada que se possa fazer, não há nada que se possa dizer; é como tentar argumentar com uma porta! E aquele que tenta ajudar fica eternamente com a mão estendida, à espera - assistindo de camarote o desenrolar de um drama que nunca tem fim, e que só existe na mente do Cego. Onde o Cego se torna rei, propagador do caos, escravo de sua própria dor e mestre de sua agonia. O Cego causa sua própria ruína por simples medo de abrir os olhos.

C.C.

Trovas

De amor... Amor é infinito!
Do encanto do seu poder,
Tanta se tem dito!
- E há tanta coisa a dizer...

Para matar as saudades,
Fui ver-te em ânsias, correndo...
- E eu que fui matar saudades,
Vim de saudades morrendo...

Tu censuras de minha alma,
Esse alvorôço, esse ardor!
- Quem tem amor, e tem calma,
Tem calma... Não tem amor...

Adelmar Tavares

C.C.

2/12/2011

Divagações

Só a partir da compreensão é que podemos começar a entender e aceitar as coisas. Eu não sei o quão baixo tive que descer para conseguir subir novamente, mas tenho e impressão de que se cavei o fundo do poço, não foi muito, só o suficiente para me colocar de pé. Talvez algumas pessoas tenham mais predisposição que outras para seguir em frente. Eu sei que todo mundo sofre, sei que a dor de ninguém deve ser menosprezada ou diminuída, quem pode sentir por você? Só você sabe o tamanho da sua dor. As pessoas falam tanto que o mundo é um lugar horrível, um inferno, que o ser humano é desprezível. Mas isso é o que elas vêm e sentem, ou é só o que elas querem ver? O reflexo do que existe dentro de nós. Eu sei o quão cruel posso ser, o quão arrogante e egoísta. Sei que se não me ativesse a meus valores e princípios, poderia ter me tornado um pessoa mesquinha e egoísta, sem qualquer sentimento verdadeiro por alguém. Mas acima de tudo, sei que ainda posso me transformar nesta pessoa. É uma luta diária; todo dia eu faço a minha escolha, todo dia eu penso no que é bom. Todos os dias eu escolho o amor ao invés o ódio, a esperança ao invés do desespero, viver ao invés de simplesmente existir. Minha vó me disse hoje uma coisa que já li há muito tempo e fiz questão de guardar comigo: Quanto mais conhecimento nós temos, maior se torna nossa responsabilidade - não só perante nós, mas perante o resto do mundo.

C.C.

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele! - Mário Quintana

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor
,
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.

Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

Mário Quintana

C.C.

1/22/2011

Constância

Não seriam necessárias as nuvens negras pesando sobre nossas cabeças, despejando uma chuva fina sobre nossos ombros. A tempestade estava anunciada ainda antes, quando o sol reinava solitário no céu azul.
A brisa era leve, morna, mas o vento que nos açoitaria vinha junto, ainda fraco e sussurrante.
O que desencadeia o caos? A calmaria deveria ser o aviso que todos deveríamos notar, mas que ninguém percebe. O silêncio e os olhares mudos já revelam a escuridão que se aproxima. Para poucos observadores - os atentos - meros sinais são o suficiente. Eu já esperava.
Se alguém me perguntasse "Está tudo bem?" Eu responderia "Tudo ótimo."
A troca de corpos e de motivos não são motivo para acabar com a indiferença que tanto tempo levei para alcançar.
"Mas você não se importa?"
Eu deveria?
Quando você percebe que todo ano chove na mesma época, você se surpreende quando a chuva vem?
Quando você percebe que toda flor nasce em determinada época, você se surpreende quando o botão aparece?
Não. Você até mesmo espera por isso.
Você sabe que vai acontecer.
Da minha parte só tenho isso a dizer: Eu já sabia.
Mas a verdade é que daria tudo para ter uma surpresa.

C.C.

1/21/2011

Remember

Mais um vídeo do Samuel, com sua mais nova composição - Remember =D

Eu gostaria muito de ver as músicas dele executadas por uma orquestra, então por favor, assistam ao vídeo no youtube também (vou deixar o link aqui) =D

Muito obrigado e aproveitem!!

Vídeo no youtube

C.C.

PS: Se gostarem, podem espalhar por aí!

1/03/2011

The Sevehr Song

Faz um tempo postei aqui um texto, e disse que era inspirado em uma música que um amigo meu compôs. Finalmente ele colocou a música à disposição no youtube, então, finalmente posso colocá-la aqui!

Vou colocar o texto também, e se você tiver um tempinho, leia ouvindo a música =D

Ele sentou-se em frente ao piano, e seus dedos começaram a percorrer as teclas lentamente enquanto ele fitava o céu azul e as ondas que iam e vinham. Seus dedos agitavam-se; fechou os olhos e curvou-se sobre o piano. A música emanava dele, seu coração batendo mais depressa, e a espera, a procura saíndo de sua alma e transbordando em seu peito, transformando-se em notas que ecoavam pela praia deserta, espalhando-se pela areia e tocando as ondas - o som parecia atraí-las. A brisa suave agitava as folhas de uma árvore próxima e nuvens encobriam o céu. Como se o mundo quisesse unir-se à sua dor, o som ganhava vida, o mar rugia, o vento furioso agitava seus cabelos e nuvens escuras agitavam-se sobre o mar, misturando-se com as ondas que avançavam sobre ele. A música parecia abarcar tudo à sua volta, e quando seu peito explodiu em lágrimas, o céu chorou, derramando uma tempestade sobre o mar, lavando seu rosto, e sua alma. Ele tocava com uma paixão profunda e a intensidade de seu pesar transformava o tempo e o espaço, invocando imagens e lembranças que ganhavam vida em seus dedos.
O riso, o toque, os olhos claros e brilhantes...
Aos poucos, a tempestade foi acalmando, dando lugar a uma chuva fina e fria que corria por seu rosto. A face agora voltada para o horizonte, e os olhos fechados abriam-se vagarosamente, como o sol que voltava a surgir por entre as nuvens. Os olhos abertos fitando o horizonte; nas ondas a luz do sol refletia e se espalhava, sentiu o calor tocando seu rosto. A música foi diminuindo e as ondas, agora mais calmas, pareciam um espelho refletindo o céu claro e rosado. Seu coração começou a bater mais devagar, à medida que as notas diminuíam, e a música cessou assim que o sol se escondeu atrás do horizonte.
A brisa voltou, suave, e o barulho do mar parecia um sussurro em seus ouvidos. Olhando para a lua, seu brilho parecia dizer:"Decifra-me, ou devoro-te," e pensou, enxugando uma última lágrima, que era o mesmo que lia em seu olhar.

*Publicado originalmente em 08/08/2009


Vídeo no Youtube

C.C.

12/28/2010

Labirinto

O vento frio... Penetrando em minha pele, a fúria do mar, jogando-se impiedosamente contra os rochedos, tentando a todo custo, durante anos sem fim, penetrar no coração das rochas. Como eu tentei penetrar em seu coração. Uma muralha tão alta e tão imutável quanto esta em que me encontro agora. Pouco a pouco, eu penetrei em suas defesas, eu rompi algumas barreiras, mas assim como este oceano, assim como estas ondas, não foi o suficiente para chegar atá aquilo que se esconde em um lugar ainda mais protegido e inalcançável, e assim como estas ondas, eu continuei tentando, eu continuei lutando mas...
Toda vez que pensava chegar mais perto, você se afastava, e então eu percebia que era apenas mais um barreira, apenas mais uma, dentre as incontáveis barreiras que ainda teria que enfrentar. Meus dedos não podiam nem ao menos tocar na superfície daquilo que se escondia nas profundezas dos seus olhos.
Eu não sou imortal, como o oceano que se estende aos meus pés, nem implacável em minha luta. Minhas forças foram aos poucos se esgotando, minha vontade foi aos poucos esmorecendo, e as barreiras eram ainda tantas...! Eu me vi então, debatendo-me contra as paredes que cercavam seu coração, sem forças, as lágrimas correndo livremente pelo meu rosto, e você não me ouvia! E eu me vi completamente só, perdida no labirinto que te protegia.


12/25/2010

Sobre a beleza

Essa semana, depois de uma faxina, fiquei sentada navegando na internet e de repente me peguei pensando - novamente - sobre a beleza. E o que desencadeou a série de pensamentos que me levaram a escrever este texto agora foi um dos últimos livros que acabei de ler, A Dança da Morte, do Mestre Stephen King. Antes eu o chamava de Mestre só pra fazer brincadeira, afinal nem li tantos livros dele assim, mas agora... E você deve estar se perguntando: o que diabos tem a ver Stephen King com a beleza?

Bom, eu sou apaixonada por tudo que é belo, isto é um fato. Desde uma flor no jardim, um inseto colorido que pousa em minha mão, até obras de arte, filmes, músicas, peças de teatro, fotografias, etc, etc, etc... O que me surpreendeu em A Dança da Morte foi exatamente isso. Eu já li muitos livros nesta curta existência, dos mais variados tipos, e já me apaixonei por vários, por suas tramas, seus personagens, a atmosfera e por aí vai, mas eu nunca havia parado para pensar na beleza destas obras. E por beleza eu me refiro à estética da escrita, da maneira como o escritor descreve determinada cena. E pela primeira vez, eu reparei nisto, e foi lendo A Dança da Morte.

Desde a primeira vez que abri o livro e o fechei, eu repetia para mim mesma: Isto é lindo!

E então, eu comecei a pensar na beleza. É um termo tão abrangente! Qual a definição de beleza? Segundo a wikipédia: A beleza é uma experiência, um processo cognitivo ou mental, ou ainda, espiritual, relacionada à percepção de elementos que agradam de forma singular aquele que a experimenta. Suas formas são inúmeras, e a ciência ainda tenta dar uma explicação para o processo. *

Sempre pensei no que é belo como sendo algo que nos desperta, que toca em algum ponto dentre de nós e nos faz baixar a guarda, penetrando em nossas defezas. Outro dia estava no centro de florianópolis com meu namorado e ouvi um coral, o som vinha do centro da praça, e as vozes eram harmoniosas. Eu estava reconhecendo algumas músicas, meu interesse se despertou quando começou a tocar (I can't get no) Satisfaction, dos Rolling Stones. A voz da mulher... Sou apaixonada por canto lírico. Então, de repepente, aquela melodia... Aquela voz suave... Era Angel of Music, do Fantasma da Ópera. Simplesmente pulei do banco, agarrei a mão do Eduardo e o arrastei para lá, foi mais forte que eu! Quando começou The Phantom of the Opera, com aquele coral atrás, usando máscaras, e o cara vestido de fantasma, cantando AO VIVO (eu podia jurar que eles estavam dublando pela perfeição e pela beleza, mas não!), eu me arrepiei toda e quase comecei a chorar ali, no meio daquela multidão, na ponta dos pés, tentando enxergar a Christine ser arrastada por aquele pequeno espaço pelo Fantasma. E a voz, a voz! Uma perfeição! Quem já ouviu a música sabe que aquele final é de tirar o fôlego, e eu quase fiquei sem, enquanto sentia meu corpo todo se arrepiar. E aquele momento, naquela praça, cheia de gente, pessoas comuns, fazendo uma parada para ver um show na rua enquanto se preparavam para voltar às compras de Natal, foi um dos momentos mais belos deste ano para mim. Pela interpretação, pela surpresa de ouvir aquela música de repente, com o edu ao meu lado, com as pessoas à minha volta, todos focados naquela garota (a desgraçada não devia ter mais de 19 anos) com uma voz capaz de nos arrancar de nossas fortalezas, de nossa rotina, da correria para comprar presentes, do caos do dia-a-dia. Acho que a beleza se resume a isso. Uma cena, uma música, uma palavra, algo que nos faz sair do aqui e agora e nos transporta para outro lugar. Nos faz pensar, nos faz sentir. Nos faz humanos. Eu sou completamente apaixonada por tudo que é belo, e tento buscar a beleza em todos os lugares. É quase como um vício, acho. Eu adoro sentir aquela fisgada no estômago, aquela sensação de enternecimento. A beleza de um olhar, alegre, sedutor, triste, sereno, sofrido... Olhares são apaixonantes, e belos. Tenho essa mania de olhar nos olhos das pessoas, e sinto-me muito desconfortável falando com alguém de óculos escuros. Eu preciso ver as reações no olhar, porque ali tudo fica claro. A beleza de uma noite estrelada, das árvores florindo na primavera, de um céu azul límpido, ou cinza chumbo, antes de uma tempestade.

E os detalhes. Afinal, a beleza mora na sutileza dos detalhes.

Sei lá, me empolguei aqui, e não falei nada do que queria ter falado antes, mas acho que deu pra entender alguma coisa^^'

Outro dia tento amadurecer mais essa idéia e escrevo algo decente. Já são quase 2:00 da manhã, meus olhos e meu cérebro imploram por uma noite de sono xD

*achei interessante^^

C.C.



Reflexos

Frio e chuva. Meus olhos tentam se acostumar com a luz clara que aos poucos tira o foco de tudo à minha volta. Outro flash. Uma mão aperta meus ombros e ajeita minha postura. "Seu olhar parecia perdido, estava ótimo." Um sorriso, meus olhos piscam discretamente, agora aos poucos posso ver o sorriso que ele me lança, largo e encorajador - seus olhos continuam frios. Apenas mais uma modelo, apenas mais um trabalho, apenas mais um. Inclino meu corpo para frente, fingindo tocar o chão coberto de folhas alaranjadas. Outono. "Ela parece doente." Sim, sinto-me fraca e um pouco tonta, mas quem se importa? Quem se importa com os sussurros que chegam com o vento? Quem se importa com a chuva que escorre sobre minha pele, penetrando em meus ossos? "Agora olhe para a câmera, isso, assim, excelente!" Novamente a luz, a perda de foco, e o frio, e a chuva.

O céu está claro, muito claro, embora a chuva continue impiedosamente. Escorrendo pelo vidro do carro, os pingos formam padrões estranhos, imagens incertas, seria o rosto de sua mãe fitando-a ali, no canto? "Sim, sim, estou melhor, obrigada." Outro sorriso. Seriam os seus sorrisos tão falsos quanto os do fotógrafo de antes? Provavelmente. Ela não se importava muito. Não se importara, agora parecia uma informação extremamente relevante sobre si mesma. Porque? Talvez o frio dos olhos estivesse aos poucos derretendo afinal. O calor penetrando em sua mente, descendo até chegar ao peito, queimando, provocando-lhe um aperto no estômago. E subindo novamente, até chegar aos seus olhos e começar a escorrer na forma de lágrimas, escorrendo como lava. E ela não conseguia mais parar. Seu corpo todo tremia, suas mãos permaneciam inertes sobre o colo, não havia forças para levantá-las. E de repente ela sentiu como se todo seu corpo estivesse derretendo, e os olhos de sua mãe a fitavam, quietos, serenos, no canto da janela.

C.C.