6/21/2008

Contos do Reino das trevas

Hozahr e Amnis

"O que nos une dessa forma, como se nossas almas fossem dependentes, como se nossos corpos fossem um, e nossas mentes conectadas.
Sinto que a distância é a cura, como se o laço pudesse ser rompido.
Ilusão.
Não há distância entre nós.
Sinto que o tempo poderá apagar a dor, caso nos percamos no mundo.
Ilusão.
Não há tempo que apague a dor de não te ter ao meu lado.
E quando a força que nos atrai para essa teia de dependência, dor, felicidade, prazer, perdição e amor, parece fraquejar, sinto que asas surgem em mim, e que poderei voar para longe a qualquer momento.
Você nunca me deixaria ir.
Arranca minhas asas com as mãos, unhas, dentes, pernas.
Puxa meu corpo para nossa teia, sua teia, desastre.

Meu coração - que é seu - está perdido em algum ponto dentro de você, e se me afasto muito, já não o escuto bater. Então corro ao seu encontro e me atiro em seus braços, não posso fugir.

Seus olhos - que são meus - fitam meu corpo e desvendam minha alma, meus desejos e vontades, como se pudesse ler minha mente, como se vivesse em mim, você conhece cada falha, cada virtude, cada desejo e erro, ninguém me conhece tanto quanto você, e ao me ver refletido em seus olhos, posso ver cada parte do seu ser, sentir cada batida do seu coração e cada sopro de ar que entra em seus pulmões - eu sou você.

Não há para onde correr. As correntes que me prendem a você são as mesmas que te prendem a mim. Você pode tentar fugir - com suas asas - mas eu não deixarei. Puxarei você para nossa teia - minha teia - com minhas mãos, unhas, dentes e pernas.
Desastre.

Hozahr, 1045."


Hozahr estava em pé, com o diário nas mãos, enquanto fitava o quadro de Amnis. Há tanto tempo que ela havia partido, e a dor ainda era pulsante e viva em seu peito, seu corpo, sua alma.
Enquanto lia aquelas palavras em seu diário, lembrava da dor que sentia por amá-la mais que a si mesmo, da certeza que tinham de que nada poderia separá-los, nem eles mesmos.
- Ilusão...Repetiu num sussurro rouco.


C.C.

6/19/2008

Retorno à origem

Talvez eu esteja perdendo a única coisa que julgava possuir. Não tenho certeza, não é a primeira vez que sinto como se estivesse vazia novamente, mas depois percebo que era alarme falso. Na verdade, é como se estivesse retrocedendo. Talvez esteja finalmente chegando ao fim. Não percebi, mas sinto que está voltando à origem. E quando chegar, aí será o fim. Vazia novamente, nem sei o que é melhor. Mas por que acho isso? Porque minhas vontades se realizam, uma após a outra, e não é como eu imaginava que seria. Não, é como quando você tem vontade de comer um bolo que você já comeu antes, e lembra do sabor, como se fosse o melhor do mundo. Então quando finalmente você tem a oportunidade de comê-lo novamente, percebe que não é mais a mesma coisa, não que tenha deixado de ser bom... Só não é mais como antes, ou melhor. Só é bom, normal. E antes, antes era a melhor coisa do mundo quando o que eu queria se realizava. Acho que sou eu que tento continuar alimentando a ilusão, para escapar do vazio. Não que tenha acabado tudo, não...Mas decididamente, não é como antes. Libertação? Ainda assim, mesmo que seja realmente o fim, eu sei que foi único. Chegarei à origem completamente diferente. Depois de tudo, é impossível dizer que nada mudou, e que sou a mesma. Quando me olho no espelho, vejo alguém completamente diferente da menina que sonhava com o amigo que não a amava. Aprendizado, conhecimento, crescimento. No fundo, sempre soube que o desejo verdadeiro, nunca seria realizado. Agora queria que outras portas se abrissem. Possibilidades, é esse meu novo desejo. Namárië o/

6/01/2008

The Point of No Return


The Point of No Return
Fantasma da Ópera
Composição: Andrew Lloyd Weber / Charles Hart


You have come here
in pursuit of your deepest urge,
in pursuit of that wish, which till now
has been silent...
Silent...

I have brought you, that our passions
may fuse and merge - in your mind
you've already succumbed to me
dropped all defences
completely succumbed to me
now you are here with me:
no second thoughts, you've decided...
Decided ...


Past the point of no return -
no backward glances:
our games of make-believe are at an end...
Past all thought of "if" or "when" -
no use resisting:
abandon thought,
and let the dream descend ...

What raging fire shall flood the soul
What rich desire unlocks its door
What sweet seduction lies before us?

Past the point of no return
The final threshold
What warm unspoken secrets
Will we learn
beyond the point of no return?

You have brought me
To that moment when words run dry
To that moment when speech disappears
Into silence...
Silence...

I have come here,
Hardly knowing the reason why
In my mind I've already imagined
Our bodies entwining
Defenseless and silent,
Now I am here with you
No second thoughts
I've decided...
Decided...

Past the point of no return
No going back now
Our passion-play has now at last begun.

Past all thought of right or wrong
One final question
How long should we two wait before we're one?

When will the blood begin to race
The sleeping bud burst into bloom
When will the flames at last consume us?

Past the point of no return
The final threshold
The bridge is crossed
So stand and watch it burn
We've passed the point of no return.


^^/
Namárië!