10/10/2008

Início e fim na tempestade

O dia foi perdendo o brilho, a luz, o sentido. Sentada na cama, ela admirava a chuva. Começou fraca, fina.
De repente o céu foi escurecendo, primeiro veio o som, o estrondo fazendo o vidro tremer. Então a luz, relâmpagos cortando o céu.
Ela aproximou-se da janela, ficou lá, admirando a tempestade que se formava, a chuva cada vez mais forte, o vento mais intenso, era como se sua alma quisesse fundir-se com a chuva, o vento e os relâmpagos.
Fundir-se com a fúria da natureza, para apagar a tormenta que reinava em sua alma. Como era possível que a tempestade trouxesse seu nome com a chuva, seu cheiro com o vento, sua presença. Ela estava presa nos próprios pensamentos, a mercê do tempo e do espaço que agora começavam a ir e vir através de suas lembranças; de sua dor, de seus sentimentos, de sua confusão, negação, aceitação, de seu amor indesejado.
Qualquer um que entrasse agora veria esta cena, mas não ouviria seus gritos, mudos. Ela agora chorava, por que o nome de quem amava queimava em sua garganta, mas não podia dizê-lo. Não podia gritar para a tempestade lá fora, que trouxera sua dor à tona e a deixara naquele estado de perdição terrível, o nome de quem amava. Era seu segredo, o único, e só seu coração o conhecia. Mas já era tarde, a chuva ficou mais furiosa, e suas lágrimas mais abundantes, ela soluçava, agarrada às grades da janela. Então, enquanto se martirizava e fugia da tormenta que crescia dentro de si, ela olhou para o pulso. Para a fita branca que havia amarrado ali, lembrou de seu pedido, que ela tentara fazer sem pensar naquele rosto, e sentiu uma fisgada no estômago.
Não, aquilo teria que terminar. E ali, enquanto a chuva caia, ela secava as lágrimas, pedia para que a tempestade acabasse com aquilo tudo, com a dor, o tormento, com o amor insano que a dominava, e começou a atacar a fita branca, a puxar e a morder "Este pedido não pode ser realizado, eu o corrompi, agora chega". Com dificuldade arrebentou a fita, mas guardou em uma gaveta, uma lembrança de que agora começava o fim.
Às vezes precisamos exteriorizar nossos impulsos, para firmar nossos objetivos.
Toda vez que olha para o pulso, lembra da fita, da chuva, e da decisão que tomou. Aos poucos ela vai retomando o controle, é difícil, mas necessário.
Aquele nome ainda queima em sua garganta, mas agora ela sabe que isso está morrendo, aos poucos, e é ela quem está matando.

Achei esse texto perdido no myspaces o.O
Há muuuuuito tempo que não entrava lá, tive até que tirar umas teias de aranha no caminho auhauhauhauhauhauhuha Não lembro quando exatamente escrevi isso =X
Mas achei legal^^

C.C.

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